APESAR DE VCs

APESAR DE VCs
Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Friday, March 18, 2011

Encontros e desencontros nas noites paulistanas. E nos dias também!!!

Domingo, Março 13, 2011

Pescado do Blog do Luiz AP


Encontros e desencontros nas noites paulistanas. E nos dias também!!!






MEMÓRIAS PAULISTANAS 2

Naqueles agitados , tensos e criativos anos chamados de 60, mas que foram até meados de 70 em pleno “Anos de Chumbo”, de fúrias e carnificinas da Ditadura Militar, nós jovens(na época) inquietos e inimigos jurados do Fascismo, também vivíamos intensamente. Liamos muito, de filosofia a romances, fazíamos musica e cantávamos a sede de liberdade, as agruras do povo. Faziamos também filmes e peças de Teatro expressando nosso amor ao povo e as pessoas queridas.

E a gente namorava muito também. Desde as colegas de Faculdade, de trabalho e até gente de Teatro e havia as amigas e simpatizantes de nossa causa maior, como a Kathe Hansen, Sonia Piccinin, Beth Mendes(que chegou a ser presa e torturada por pertencer a base de apoio da ALN), o pessoal do Arena e do Teatro Oficina do José Celso e outras que até entraram na luta por amor ou ideologia.

De Penápolis a Sampa

Para mim as coisas começaram em Penápolis, onde fizemos teatro, cineclubes, discutíamos musica ,cinema e literatura e filosofia, principalmente na casa de “seu” Manoel Lacava e nossa musa e protetora Dona Amélia, que tinha sido também a professora da maioria de nós no grupo escolar e era mãe de dois de nossos companheiros de toda hora, o Celso-Capim que já virou borboleta e Cilô que ainda esta em Sampa repartindo sua vida e cultura e dando aulas.

Por ali também começamos na politica de resistência. Depois nossa turma original debandou para fazer a vida. Alguns para Brasilia e a maioria para São Paulo, onde a efervescência politica e cultural era maior.

Eu e meus queridos amigos e camaradas de luta e vivencia, transitávamos naquela São Paulo desvairada e que ainda garoava em vez de inundar, pelo velho centro. Pelo quadrilátero que ia da Avenida São João, até a Paulista. Da Brigadeiro até a Consolação. Mas também na velha “Boca do Lixo” onde ficavam as produtoras de Cinema “sérios” e pornochanchadas e o velho restaurante “Soberano”.Fora o "Bar Riviera",em frente ao Cine Belas Artes, onde tomavamos umas também, as vezes cercados de agentes da Ditadura disfarçados.

Ali discutíamos o Mundo e filmávamos o que era possível. Carlão Riechenbah, Oszualdo Candeias, Rogerio Sganzerla, Luiz Rozemberg Filho que vivia no Rio, mas sempre ia a Sampa discutir idéias e as vezes buscar financiamento para seus filmes, Walter Hugo Khoury, talvez o mais profissional dos cineastas paulistas, Silvio de Abreu, Jairo Ferreira, Andrea Tonaci, Afonso Brazza(que depois veio para Brasilia fazer filmes e ser Bombeiro. José Mojica Marins, o famoso “Zé do Caixão” . Dos escritorios e “sets” de filmagens íamos pro Soberano almoçar filé a parmegiana e de noite íamos pro “Ponto 4”, “Bar das Putas” na Consolação e até o Gigetto ver os atores famosos da época.

Uisque sem guaraná

Saia eu dos Diários Associados onde era repórter e depois editor já tarde da noite e com o Zézão, José Eduardo Faro Freire, Rubens Gatto, Lia Ribeiro Dias, Maria Luiza Araujo, Beth Lorenzote, João "da Baiana" Teixeira,Clóves Geraldo e outros companheiros íamos articular politica e conversar sobre cultura brasileira no “Pari Bar” da Praça Dom José Gaspar. Depois debandávamos para tomar as ultimas da noite lá pras bandas de Pinheiros, Lapa e Paulista, onde outras turmas se encontravam para tomar umas no fim de noite. A ultima refeição era quase sempre no “Tabu” da boca do lixo, que tinha um filé de primeira e baratinho, a altura de nossos bolsos.

E ainda tínhamos os nossos saraus de poesia e literatura no velho apartamento do Doutor Mozart Menezes, fundador da “Cacimba”, na rua Timbiras, em plena “boca do lixo” onde ia de Celso Lungaretti a Rubens Alvesl ,o poetaço Souza Lopes e sua doce Marcia, Francisco Ugarte e outros viciados em “letras”, politica e boa musica.

Musicas e fim de noite

Ai saimos para ver os músicos da noite que agitavam boates e barzinhos da noite paulistana. João da Baiana Teixeira, Jésus Carlos, o fotografo, o meu querido Alemão-Antonio Eduardo Molina Mandel quando não estava preso. Até o Moa-Moacyr de Oliveira Filho que adorava um samba e outros amigos queridos pintavam sempre na área. Para quem gostava de samba e dançar, tinha o “Som de Cristal, alí pertinho na Rego Freitas e o “Avenida Dançing”, na Rio Branco, quase esquina da São Joao, onde ao lado jogavamos sinuca de vez em quando, depois que os “cobras” do snooker iam descansar.

No bar “Redondo” em frente ao Arena e a Igreja da Consolação encontrávamos TomZé, Gilberto Gil que era executivo de uma multinacional durante o dia e musico de noite, Gracinha Costa, depois Gal, Caetano, Piti e outros baianos que tinham vindo de Salvador para montar o “Arena Canta Bahia”, no Teatro de Arena, hoje Eugenio Kusnet. Desta baianada, só ficou e adotou e foi adotado por São Paulo, TomZé, os outros foram para o Rio de Janeiro e por lá ficaram.

Curtiamos até Benito de Paula que cantava numa boate da Praça Roosevelt. Luiz Carlos Paraná e a boate "Jogral" ao lado do “Terceiro Uisque” na rua Avanhandava, sempre com cantores bons na parada, de Sergio Ricardo, Johnny Alf a Noite Ilustrada! Mas tinha o Chico Buarque que ia no “sujinho” em frente o Sesc e na rua DR. Vila Nova, a turma que não saia do “Redondo”, como Carlão da Vila. Era muita gente!!!

E nós que estudávamos na Filosofia da USP, íamos tomar cerveja no Bar do Zé na esquina da Maria Antonia com Dr. Vila Nova. Dali saiu muitas articulações e recrutamentos de estudantes para a luta armada contra a Ditadura.

E a vida continuava...

E isto depois de durante o dia trabalhar e “cobrir pontos” com os camaradas da luta contra a Ditadura, a turma da ALN, depois da APML e do PCdoB. Discutiamos muito os documentos das organizações e partidos e ainda por cima encontrávamos tempo de participar de ações e de propaganda armada. E sempre tensos, esperando a hora, que sempre chegava para muitos de nós, de ver a chegada dos “home” nas veraneios, com metralhadoras para levar a gente para o DOPS e OBAN e os cárceres sombrios da Ditadura.

Mas a gente saia e continuava na luta e no fervor das idéias e das criações que marcaram a cultura e a história brasileira até hoje.

Wednesday, March 16, 2011

GREGÓRIO BEZERRA

Revolucionário e Comunista
GREGÓRIO BEZERRA
Ontem, hoje e Sempre
Presente
13 de Março
1900 - 2011
111 Anos

 


Domingo, 13 de Março de 2011
Camaradas, Companheiros, Amigos e Simpatizantes da Luta pelo Socialismo,
 
Hoje, comemoramos uma data inesquecível: Aniversário do Grande Líder Comunista Camponês, Herói do Povo Brasileiro, Gregório Bezerra.
Dia 13 de março de 1900, nascia Gregório Bezerra; hoje faria 111 anos!
 
Seu nome se tornou lenda nos quatro cantos do Brasil:
GREGÓRIO BEZERRA, o HOMEM FEITO DE FERRO e FLOR!
 
Ao contrário de que muitos dizem, o brasileiro tem memória, e a imagem do altivo Gregório, sendo torturado por seus algozes na Praça de Casa Forte, encontra-se viva na lembrança do povo, e ele será sempre um exemplo para todos nós. 
 
GREGÓRIO BEZERRA -  PRESENTE!
GREGÓRIO BEZERRA -  PRESENTE
GREGÓRIO BEZERRA -  PRESENTE
ONTEM, HOJE, AMANHÃ e SEMPRE!
GREGÓRIO BEZERRA
(1900-1983): Nasceu na cidade de Panelas de Miranda, Pernambuco; Desde os 4 anos de idade já trabalhava na lavoura e, quando ficou órfão de pai e mãe, aos oito anos de idade, passou a ser escravo doméstico. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos. Entre as várias atividades que exerceu, uma delas foi a de jornaleiro. Embora não soubesse ler os jornais que ele mesmo vendia, seu interesse pela política pôde ser despertado na medida em que conhecia a realidade brasileira de uma forma mais ampla na medida em que os seus colegas liam as notícias de jornais para ele. Em importante greve ocorrida em 1917, Gregório começa a atuar ativamente, lutando pela jornada de 8 horas e em favor da Revolução Bolchevique. Neste episódio foi preso, acusado de perturbar ordem pública e cumpriu 5 anos de prisão.
No ano de 1922 ele alista-se no Exército e decide se alfabetizar para entrar na Escola de Sargentos. Já a partir de 1927 passou a ler diversas obras marxistas e no ano de 1929 consegue entrar para a Escola de Sargentos. No ano seguinte ele filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e passa a proteger militantes perseguidos pelo movimento integralista da época. Em 1932 Gregório recebeu a missão de comandar um exército de analfabetos e flagelados da seca, que combateu os Paulistas na Revolução Constitucionalista.
Participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), sua principal tarefa foi filiar o maior número de militares à frente. Gregório obteve sucesso nesta tarefa, além de conseguir centenas de fuzis e munições para a frente. Teve a incumbência, ainda, de deflagrar o movimento revolucionário em Recife. Liderou a tomada do Quartel General e vários pontos importantes da cidade.
Com o movimento derrotado, Gregório foi preso, espancado e barbaramente torturado. Por participar dos eventos ligados à insurreição comunista, Gregório foi condenado a 27 anos de prisão. Em 1942 foi transferido para a Ilha Grande. No ano seguinte, quando passou para o presídio Frei Caneca, conheceu Prestes.
Saiu da prisão em 1945. Recebeu do PCB a tarefa de reorganizar o partido em Pernambuco. Nas eleições de dezembro do mesmo ano, Gregório é o Deputado Federal mais votado para a Constituinte, aonde defendeu o direito de greve e a autonomia sindical; direito de votos aos analfabetos e aos militares; denúncia da exploração do trabalho, principalmente infantil; defesa da construção de creches para as mães solteiras e trabalhadoras, assim como sua obrigatoriedade em escolas, postos médicos, favelas e locais de trabalho. Foi defensor incondicional da Reforma Agrária Radical.
Em setembro de 1947 o PCB volta novamente à ilegalidade e o mandato de seus deputados são cassados, inclusive o de Gregório Bezerra. Em 1948 foi seqüestrado e preso por ordem do então presidente Dutra. Foi falsamente acusado de incendiar o quartel 15 R.I., em João Pessoa, na Paraíba. Sofreu várias tentativas de assassinato. Depois de dois anos de prisão foi absolvido por unanimidade pelo STM. Mesmo solto, continuou sendo perseguido. Entrou para a clandestinidade e continuou atuando na organização do PCB. Atuou em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná.
Em 1957 foi novamente preso por sua militância, principalmente formando Ligas Camponesas e sindicatos rurais. Foi liberto por habeas corpus. 
No V Congresso do partido, no ano de 1960, é eleito para o Comitê Central.
Com o Golpe Militar de 1964, Gregório foi novamente cassado, espancado e barbaramente torturado pelos militares. Durante o período em que esteve preso, foi levado às ruas de Recife, amarrado com cordas pelo pescoço e arrastado.
Foi processado e condenado por crime de lesa Pátria e por subversão a 19 anos de prisão e sua saúde e integridade física foram totalmente abalados. Foi libertado, somente, no ano de 1969, trocado, junto com 13 presos políticos, pela vida do embaixador americano seqüestrado no Brasil.
Foi enviado ao México, Cuba e URSS, onde recebeu assistência médica para tratar de sua saúde. Recuperado, passou a integrar o Movimento Internacional da Classe Operária no exílio. Retornou ao Brasil no ano de 1979, com a Anistia.
Em 1980 desliga-se do PC, solidarizando-se com Prestes, afirmando que continuaria fiel ao Marxismo-Leninismo e lutando pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.
Em 1982, candidata-se à Deputado Federal por Pernambuco, conseguindo a suplência. Pouco antes de morrer Gregório declarou: “Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das Ditaduras Fascistas”.

Gregório Bezerra
  Fonte: Associação Política-Cultural Brasil/Cuba - Casa Gregório Bezerra
===================================================================================
“Em 1935, a gente tinha armas,
mas não tinha massa;
Em 1964, a gente tinha massa,
mas não tinha armas.”

(GREGÓRIO BEZERRA)
Líder revolucionário completaria 110 anos
“UM HOMEM FEITO de ferro e flor”. 
Camponês, operário, militar e parlamentar, Gregório foi um militante comunista fiel durante toda sua vida.
Nascido em 13 de março de 1900, no município de Panelas, agreste pernambucano, Gregório conheceu cedo o trabalho duro e a exploração. Com quatro anos começou a trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar. Aos oito, depois de ficar órfão, migrou para o Recife para ser escravo doméstico na casa da família dos fazendeiros. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos.
Como a maioria dos migrantes pobres, Gregório era analfabeto, sem-terra e semteto. Foi carregador de bagagens na estação central do Recife, jornaleiro e ajudante de obras. Embora não soubesse ler os jornais que vendia, foi como jornaleiro que começou a se interessar pela política, através da leitura que seus colegas faziam dos jornais locais.
A primeira das suas muitas prisões ocorreu em 1917, quando, como operário da construção civil, participou das primeiras greves por direitos trabalhistas e das manifestações em apoio à Revolução Bolchevique. Após ser libertado, alistouse no Exército, alfabetizou-se aos 25 anos e em 1929 entrou na Escola de Sargentos.
Estudo e organização
Gregório transformou os livros em luz e arma. Foi através da leitura que conheceu o marxismo, ideologia que abraçou durante toda sua vida. Em 1930, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil e em 1935, como participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderou o levante militar-revolucionário no Recife, com a tomada do Quartel General. Com o movimento derrotado, foi condenado a 27 anos de prisão. Cumpriu parte da pena no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, onde dividiu cela com Luiz Carlos Prestes.
Com o fim do Estado Novo, em 1945, é anistiado e eleito deputado federal constituinte pelo PCB de Pernambuco. Dois anos mais tarde, o PCB voltou à ilegalidade e Gregório teve seu mandato cassado. Foi preso novamente, acusado de liderar um incêndio no 15º Regimento de Infantaria do Exército em João Pessoa.
Ao sair da prisão, Gregório passou a percorrer o Brasil defendendo a Reforma Agrária e construindo sindicatos de trabalhadores rurais. Em 1963, participou da organização de uma greve de 200 mil trabalhadores da zona canavieira de Pernambuco. Neste período de mobilização massiva dos camponeses no Nordeste, as Ligas Camponesas se tornam uma referência e Gregório se dedicou intensamente à mobilização, organização e formação dos camponeses.
Prisão e tortura
Foi preso imediatamente após o golpe militar de 1964, nas terras da Usina Pedrosa, em Pernambuco, quando tentava organizar a resistência armada dos camponeses ao golpe. Foi torturado em praça pública e arrastado pelas ruas do bairro Casa Forte por um jipe do exército, com uma corda amarrada ao pescoço. Antes de arrastá-lo, o coronel Darcy Villoc, seu torturador, obrigou-o a colocar os pés em uma bacia com soda cáustica, deixando-os em carne viva.
Essa se tornou uma das cenas mais chocantes da ditadura militar entre os pernambucanos. “Quando eu vi aquela cena, com o coronel Darcy Villoc Viana gritando ensandecido e ameaçando o ancião, enquanto soldados muito jovens arrastavam aquele homem cambaleando, eu senti que deveria deixar minha profissão de professora de menores abandonados e passar a fazer algo por aquele homem torturado”, lembra a Dra. Mercia, posteriormente advogada de Gregório.
Gregório foi processado e condenado a 19 anos de prisão por crime de lesapátria e subversão. Ao receber a notícia de que seria libertado, juntamente com outros companheiros, em troca do embaixador norte-americano, Charles B. Elbrick, que havia sido sequestrado pela resistência à ditadura militar, Gregório exigiu que fosse publicada na imprensa uma declaração sua, na qual dizia: “Me mantenho firme na convicção de que somente a união de todas as camadas e classes sociais não comprometidas com a ditadura entreguista é que decidirá a instauração no Brasil de um regime de plena liberdade, de livre desenvolvimento econômico, de paz e nacionalismo”.
No exílio, Gregório viveu no México, Cuba e União Soviética, onde passou a integrar o Movimento Internacional da Classe Operária no exílio. Com a anistia, retornou ao Brasil após dez anos. Em 1980, desligou-se do PCB, solidarizando- se com Prestes, afirmando que continuaria fiel ao marxismo-leninismo e lutando pela anistia ampla, geral e irrestrita. “Tenho confiança inabalável na compreensão e no sentimento do povo. Eu voltei para me ligar novamente ao movimento de massas e com ele trabalhar até alcançar definitivamente as liberdades democráticas em nosso país”. Em 1982, candidata-se a deputado federal pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, ficando como suplente.
Gregório morreu na cidade de São Paulo, em 23 de outubro de 1983, e é hoje lembrado pelos seus companheiros daquela época e pelos militantes de hoje da maneira como queria: como “o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas”.
Memorial
Ao projetar o Memorial a Gregório, o arquiteto e militante comunista Oscar Niemeyer reforça o respeito e admiração dos militantes contemporâneos de Gregório. “Das figuras revolucionárias que conheci e que queriam mudar o Brasil, Gregório era o que representava o povo humilde. Ele acendeu a consciência de que é necessário mudar o Brasil. Nenhum outro revolucionário brasileiro representou tão bem as camadas mais distantes dos problemas políticos e ideológicos, ele que nasceu na roça e aprendeu a cortar cana. Ele é um exemplo para todo jovem. Este tem que saber que houve, no Brasil, este homem e há na nossa história. Assim, ele é permanente, porque representa o passo adiante da consciência humana que é a liberdade. Não vejo ninguém comparável, hoje, a Gregório”.
O MST, entre as várias homenagens para comemorar os 110 anos desde grande dirigente revolucionário, realizou um ato público no dia 17 de abril, durante a ocupação do Incra em Recife, e fomos honrados com a presença firme de Jurandir, filho de Gregório Bezerra. Em um emocionante depoimento sobre a vida de luta do pai, Jurandir disse que nós, do MST, representamos também a continuidade dessa luta: a luta pela liberdade dos excluídos.

-----Anexo incorporado-----

Lutas e Heróis do Povo : Rose Nogueira e a luta da mulher contra a ditadura

Carta O Berro..........................................................repassem
 




Lutas e Heróis do Povo : Rose Nogueira e a luta da mulher contra a ditadura

em 12/03/2011 (39 leituras)
Na página dedicada aos heróis e heroínas e às lutas do povo brasileiro, A Verdade tem homenageado aqueles(as) que, imolados(as) no altar satânico da tortura praticada pela Ditadura Militar (1964-1985), deram sua vida pela causa da libertação do nosso povo.  Mais do que justo. Mas refletimos que muitos(as) militantes sobreviveram ao ritual do terror, superaram as sequelas (alguns não conseguiram, infelizmente, a exemplo de frei Tito Alencar, que se suicidou durante o exílio na França) e continuam acreditando e contribuindo com a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, fundamentada na igualdade, na justiça, na solidariedade, na cooperação. Eles(Elas) também são nossos heróis e heroínas.
Entre estes(as) heróis e heroínas vivos(as), está Rosemeire Nogueira Clauset. ROSE NOGUEIRA é filha de espanhóis (lado paterno) com italianos (lado materno), mistura típica de São Paulo do século 20. Nasceu em 1946, em Jacareí (SP), cidade do Vale do Paraíba, "o doce rio que, ao contrário do Tietê, fornece a maior parte da água que bebemos por aqui".
 
Ação Libertadora
Como centenas de jovens que não aceitaram a ditadura imposta ao povo brasileiro no ano de 1964, Rose ingressou na militância política. Casou com Luiz Roberto Clauset, ambos militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN). A ALN resultou de uma cisão do Partido Comunista Brasileiro (PCB), inicialmente chamada Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), liderada pelo baiano Carlos Marighella (leia Heróis do Povo Brasileiro, in A Verdade, nº 12), um dos líderes mais carismáticos do PCB, "um dos maiores brasileiros de todos os tempos", diz Rose.  Considerando que o PCB se mantinha inerte ante a ditadura, a ALN preconizava a formação de um Exército de Libertação Nacional, com base rural, para derrotar o Regime Militar e implementar um programa de transformação da sociedade brasileira, nacional, popular e anti-imperialista. As ações guerrilheiras começaram na cidade, como forma de arrecadar fundos e treinar os militantes para a implantação do movimento no campo.
As ações tiveram início ainda em 1968, ano de intensa mobilização estudantil, e se intensificaram após a edição do AI-5, que marcou o endurecimento do regime, fechou todos os canais de manifestação popular e adotou um sistema repressivo feroz, com um aparelho oficial e outro clandestino, ambos interligados. Em setembro de 1969, a ALN e o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), em ação conjunta, sequestram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A ação é vitoriosa, conseguindo a libertação de 15 prisioneiros políticos e a divulgação de um manifesto revolucionário nas redes de televisão, rádios e jornais.
Sucede-se uma escalada repressiva sem precedentes. Rose lembra detalhes do que ela denomina "essência do fascismo". O incentivo à delação era tão forte que, "além dos cartazes com as fotos dos militantes perseguidos e a frase PROCURA-SE, circulavam panfletos incitando as pessoas: "se você perceber alguma movimentação à noite na casa do seu vizinho, denuncie à delegacia mais próxima"; "se alguém se mudar no domingo, isso é estranho; chame a polícia"; "se o seu vizinho varrer a casa fora de hora, chame a polícia". Até as festas de aniversário em família tinham de ser comunicadas aos órgãos policiais. 
A repressão atinge mortalmente a ALN, com sucessivas prisões, assassinatos e torturas, que levam ao grande líder Marighella, que resistiu à prisão e foi fuzilado na Alameda Casa Branca, Centro de São Paulo, no dia 4 de novembro de 1969.
Nas garras do monstro
Nessa mesma data, Rose e Luiz Roberto Clauset tiveram sua casa invadida por agentes policiais comandados pelo próprio Fleury. Ela havia dado à luz há um mês, apenas, seu rebento Cacá (Carlos Guilherme Clauset, hoje publicitário, jornalista e campeão de ralies). Fleury queria levar a criança para o Juizado de Menores, mas ela, bravamente resistiu: "só irei presa se deixar o menino com a família".  O monstro torturador ameaçou, mostrou o revólver, mas cedeu.
No Dops, não poderia ser diferente, a recepção foi rigorosa.  Rose relata: "Na sala de Fleury, uma caveira desenhada com as letras embaixo E.M (Esquadrão da Morte). Empurrões, beliscões nas nádegas, palavrões". Rose sangrava (parto recente), o leite escorria dos seios, pois não podia amamentar seu bebê. Tudo isso era motivo de zombaria e humilhações. "Olha aí a Miss Brasil, Pariu outro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca. Só pode ser uma vaca terrorista". Muita dor, tortura física e psicológica, ameaçando trazer o filho para torturar em sua frente.
O sofrimento aumentou ainda mais quando viu e ouviu os soldados rindo e comemorando, na noite de 4 de novembro:  "Matamos Marighella". Rose o admirava muito, como revolucionário e pessoa humana especial. "Em minha casa, havia reuniões de Marighella com o Comando da ALN, com os frades dominicanos (grupo de religiosos que apoiava a ALN, entre os quais os freis Betto, Ivo, Fernando e Tito). Por algumas vezes, Marighella dormia lá em casa. Como eu não tinha nome de guerra (Rose tinha vida legal; ela e o marido trabalhavam na Folha da Tarde, onde frei Betto era chefe de reportagem), ele me chamava "filhinha". Um dia, trouxe o livro Parto sem Dor e fez exercícios respiratórios comigo. Que companheiro, que pessoa mais linda. Gostava de comer feijão com arroz e banana crua. Como esse misturado gostoso até hoje quando me lembro dele".
A luta continua
Foram três anos de sofrimento na prisão.  "Depois de tudo isso, fomos absolvidos no final de 1972. Foram três anos desesperados. No nosso processo, que eles chamavam de ALN-1, ou "Ala Marighella", só os padres foram condenados. Acho que éramos uns 20 denunciados no processo. Penso que a ditadura queria, com isso, condenar o trabalho da Igreja Católica e, principalmente, a Teologia da Libertação".
Rose Nogueira não desistiu.  Preside o Grupo Tortura Nunca Mais em São Paulo, está engajada na luta pela abertura dos arquivos da repressão, pela punição dos torturadores, e continua acreditando na libertação do povo brasileiro. É heroína, sim, é exemplo para as novas gerações.
Box
Foi doloroso para Rose Nogueira relembrar o sofrimento, a saudade, aflorar a emoção daqueles dias, especialmente num momento em que sua genitora está gravemente doente. Já na véspera do fechamento desta edição, respondendo ao pedido de urgência no envio das respostas que faltavam, ela escreveu: "Fiquei muito mal e deprimida ao escrever sobre a prisão e, principalmente, ao falar do meu filho - que, por coincidência, chegou logo depois e fomos direto para a casa de minha mãe, na Vila Monumento (ao lado do histórico córrego Ipiranga, que ainda corre, mas hoje as margens plácidas são uma larga avenida de duas pistas) porque ela está passando muito doente. Tem câncer de abdome, com tumores no útero, na bexiga e no intestino. Dormi lá e cheguei agora em casa. É muito difícil escrever sobre as torturas. Chorei por tudo ontem. Pelo passado, pelo presente, por ser a mãe e por ser a filha. Espero que você entenda e me perdoe mais uma vez. Tenho de ir, neste momento, à reunião da Comissão de Justiça e Paz. Sou a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e não posso faltar. Não é demorada. Mas todo meu dia, fora isso, será dedicado a você. É que a luta continua...".
Obrigado, Rose! Nós é que pedimos perdão pela insistência.
José Levino, historiador

-----Anexo incorporado-----

Monday, March 14, 2011

ANTÔNIO BENETAZZO (1941-1972)


 
 
ANTÔNIO BENETAZZO (1941-1972)
 
Filiação: Giulietta Sguazzardo Benetazzo e Pietro Benetazzo
Data e local de nascimento: 01/11/1941 e Verona, Itália
Organização política ou atividade: MOLIPO
Data e local da morte: 30/10/1972, São Paulo (SP)

Natural de Verona, na Itália, foi educado por seus pais no espírito de oposição ao nazismo e ao fascismo que dominavam a Europa quando de seu nascimento, em 1941. A família

migrou para o Brasil em 1950, quando Benetazzo tinha nove anos. Passou o resto da infância entre as cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral paulista, e cursou o Colegial

em Mogi das Cruzes, onde atuou no grêmio de representação estudantil.

Ingressou no PCB em 1962 e participou ativamente do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Considerado muito inteligente por todos os seus colegas, cursou simultaneamente Filosofia e Arquitetura, ambos na USP, sendo mais conhecido como “Benê”. Foi presidente do

Centro Acadêmico do Curso de Filosofia, sendo também professor tanto na disciplina História quanto em Educação Artística. Ensinando em diferentes cursos de preparação para

vestibulares universitários, especialmente no Cursinho Universitário, Benetazzo procurava transmitir a seus alunos uma visão crítica da História e da realidade.

Foi um dos idealizadores de um dos primeiros jornais alternativos do período da ditadura militar – O Amanhã, precursor da chamada imprensa nanica. Mantinha diversificada atividade

cultural, tendo participado como ator do filme Menina Moça, de Francisco Ramalho Jr., gravado em super 8. Foi cenógrafo de Anuska, Manequim e Mulher, do mesmo diretor, tendo

no elenco Francisco Cuoco, Jairo Arco e Flexa, Ruthinéa de Moraes e Marília Branco. Benetazzo também se dedicava à pintura e à fotografia. É dele a capa do primeiro livro do escritor

Mário Prata - O morto que morreu de rir, publicado em 1969. A revista oficial de debate e cultura do PT, Teoria e Debate, também trouxe em uma de suas capas uma pintura

desse militante e artista. Em 1967, Benetazzo desligou-se do PCB, passando a integrar a DISP – Dissidência Estudantil de São Paulo, vinculando-se em 1969 à ALN. Participou do 30°

Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968. Em julho de 1969, deixou a universidade e as escolas em que lecionava, passando a atuar na clandestinidade. Viajou para Cuba, recebeu

treinamento militar e retornou ao Brasil em 1971, integrado ao MOLIPO, sendo o redator do jornal Imprensa Popular, órgão oficial da organização, e membro de sua direção.

Antônio Benetazzo foi preso em 28/10/1972, ao entrar na casa do torneiro mecânico, também militante político, Rubens Carlos Costa, na Vila Carrão, em São Paulo, que seria uma

espécie de armeiro do Molipo, segundo informações dos órgãos de segurança. Foi levado ao DOI-CODI/SP, onde permaneceu até ser morto. A versão oficial, divulgada no dia 2 de

novembro, foi a de que teria indicado aos agentes um encontro com companheiros na rua João Boemer, no Brás, em São Paulo e que, chegando ao local, teria se jogado sob as rodas

de um caminhão. Foi enterrado como indigente, no Cemitério de Perus, no dia 31, dois dias antes da divulgação da sua morte.

O laudo de necropsia, assinado, por Isaac Abramovitc e Orlando J. B. Brandão, concluiu que o examinado faleceu em virtude de choque traumático por politraumatismo.

Estranhamente, na foto de seu corpo não aparecem deformações na fisionomia que necessariamente seriam provocadas pelas fraturas descritas no crânio. Não há escoriações.

Tampouco o laudo descreve qualquer marca de borracha dos pneus ou sujeira nas vestes, assim como não menciona um grande hematoma na pálpebra, perfeitamente visível na única

foto do cadáver localizada nos arquivos secretos do DOPS/SP.

O relator do processo na CEMDP apresentou voto favorável ao deferimento do caso, considerando a prisão e o suposto suicídio condições perfeitamente enquadradas nos

dispositivos para inclusão nos benefícios da Lei nº 9.140/95. Nilmário Miranda e Suzana Lisbôa fizeram constar em ata a certeza de que Antônio Benetazzo fora preso e morto sob

torturas, sendo falsa a versão oficial de suicídio. Uma pequena praça localizada atrás do MASP – Museu de Arte de São Paulo, nas imediações da avenida Paulista, em São Paulo, foi

batizada com o seu nome.
============================================================================================================================
+ Informações.
ANTONIO BENETAZZO
Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).
Nasceu em 01 de novembro de 1941, em Verona, na Itália, filho de Pietro Benetazzo
e Giuleta Squazzordo Benetazzo.
Morto aos 31 anos de idade.
Mudou-se para o Brasil quando ainda menino. Desde cedo, sentiu-se imbuído pelo
sentimento anti-fascista de seus pais, sentimento que marcou toda uma geração que
conheceu os horrores do nazi-fascismo europeu, fazendo com que, desde a adolescência,
participasse dos movimentos populares no Brasil.
No período que precedeu o golpe militar de 1964, teve, como estudante secundarista
e já integrante do PCB, destacada atuação nos movimentos culturais e políticos,
principalmente naqueles promovidos pelo Centro Popular de Cultura da UNE.
Redator do jornal Imprensa Popular, órgão oficial do MOLIPO.
Estudante de Filosofia e de Arquitetura da Universidade de São Paulo. Presidente do
Centro Acadêmico do Curso de Filosofia e professor de História.
Como professor de cursos de preparação para vestibulares universitários, Benetazzo
procurava transmitir a seus alunos uma visão crítica da História e da realidade.
Em 1967, desligou-se do PCB, passando a militar na ALN. Participou do 30°
Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968. Em julho de 1969 deixou a Universidade e as
escolas em que lecionava e foi viver na clandestinidade. Foi a Cuba e voltou, em 1971,
integrado ao MOLIPO.
Preso no dia 28 de outubro de 1972 e levado imediatamente para o DOI/CODI-SP.
Durante os dias 28 e 29 de outubro, Benetazzo foi torturado ininterruptamente e, no
fim do dia 30, morreu em conseqüência de tão bárbaros sofrimentos.
No dia 2 de novembro, os jornais paulistas publicavam nota oficial, divulgada pelos
órgãos de segurança, fazendo crer que Benetazzo teria falado de um suposto encontro com
companheiros na Rua João Boemer, no bairro do Brás, São Paulo, e que lá chegando, teria
tentado a fuga, sendo atropelado e morto por um pesado caminhão.
Assinam o laudo necroscópico confirmando o atropelamento, os médicos legistas
Isaac Abramovitch e Orlando J. Brandão.
Tal versão é desmascarada por vários testemunhos de presos políticos que se
encontravam no DOI-CODI/SP na época da prisão e assassinato de Benetazzo, que
afirmam ter ele sido torturado até a morte.
Outro fato de relevância no desmascaramento da nota oficial é a inexistência de qualquer
acidente no dia, hora e lugar do suposto atropelamento a que se refere a versão dos órgãos de
segurança responsáveis pelo seu assassinato. Os relatórios dos Ministérios da Marinha e
Aeronáutica continuam confirmando a falsa versão de morte por atropelamento, enquanto que o
Relatório do Exército, em cujas dependências Benetazzo morreu, diz não ter registros a respeito
de seu destino.
Teve sua prisão decretada em 16 de janeiro de 1973 pela 2ª Auditoria, depois de estar
morto.
Enterrado no Cemitério de Perus como indigente, sendo trasladado mais tarde por
seus familiares.

Xilogravura de Claudio Tozzi e Antonio Benetazzo, feita para a UNE em 1968. Benetazzo, estudante da FAU, foi preso em 1972 e morto pela ditadura militar
===============================================================================================================================
+ Informações.
 


O Grupo Memória Contada presenteia o Arquivo Público do Município
(por Denise Lemes, historiadora)

O Grupo Memória Contada, grupo formado pela professora de História Rose Mary Teles Sousa e alunos da Escola Estadual Thomaz Ribeiro de Lima, realiza desde agosto de 2010 uma grande pesquisa para o Projeto “Benetazzo presente!”, um dossiê sobre Antônio Benetazzo com o objetivo de tornar conhecida sua trajetória na resistência à Ditadura Militar e a sua vida como militante estudantil desde muito jovem.
No levantamento de informações para o documentário, a professora Rose e seus alunos conseguiram muitos materiais que serão mostrados em uma exposição comemorativa ao aniversário de Antônio Benetazzo em novembro, quando ele completaria 70 anos (01/11/1941). Parte do acervo que o Grupo Memória Contada levantou foi doado em 01 de março de 2011 pela E. E. Thomaz Ribeiro de Lima ao Arquivo Público do Município de Caraguatatuba “Arino Sant’Ana de Barros”. O livro Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil 1964-1985, publicação do IEVE/ Imprensa Oficial; mais dois trabalhos em nanquim: casario (1964), doados inicialmente ao E.E. Thomaz R. Lima pela família Fachini, e dois trabalhos em óleo sobre papel: retratos de mulheres (1963), doados inicialmente por José Américo Rodrigues ao E. E. Thomaz R. Lima, todos de autoria de Antonio Benetazzo, foram entregues na sede do Arquivo Público no Polo Cultural “Profª. Adaly Coelho Passos”.
Benetazzo, quando ainda um adolescente, juntamente com sua família, todos imigrantes italianos, moraram no centro de Caraguatatuba. Aqui ele concluiu o ginásio (atualmente denominado Ciclo Básico) na E. E. Thomaz Ribeiro de Lima (antigo Ginásio), onde fundou e dirigiu um grêmio estudantil por meio do qual incentivou colegas e amigos a estudarem e conhecerem o mundo das artes.
Depois a família Benetazzo se mudou para São Paulo, onde o jovem Antônio, cursando Arquitetura e Filosofia na USP, passou a dar aulas em cursos preparatórios para o vestibular como professor de História e Educação Artística. Engajado na militância contra a Ditadura Militar tornou-se dirigente do Movimento da Libertação Popular – Molipo. Foi torturado e assassinado no DOI-CODI/SP em 30 de outubro de 1972 e enterrado como indigente no Cemitério D. Bosco. Na época, a versão oficial de sua morte foi a de atropelamento, versão investigada por familiares e amigos que constataram sua inverossimilhança.
Mais um grande passo para o futuro foi dado: Educação + Cultura, a comunidade por meio da escola usufruindo e contribuindo para o que é seu: o Arquivo Público do Município de Caraguatatuba.
Alegria! O amanhã está mais próximo!
Notícia inserida em 9/3/2011
=========================================================================================

 

-----Anexo incorporado-----

_______________________________________________
Cartaoberro mailing list
Cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br
http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro

Sunday, March 13, 2011

O que é ser Zapatista

Gumercindo Rocha Dorea Filho
Quero aproveitar esse espaço, que só merece parabéns, para compartilhar com todos uma experiência instigante que eu tive entre os anos de 1994 e 1995 quando conheci de perto o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Ainda era difícil imaginar naquela época uma guerrilha que desejava transformação sem a tomada de poder. De lá para cá, não parei mais de pesquisar a palavra zaptatista, inclusive trabalhando no projeto Xojobil (arco-íris ou ponte) em dialeto indígena mexicano, uma entidade no Brasil que divulga as idéias zapatistas. Tenho escrito há algum tempo no jornal eletrônico Correio da Cidadania alguns textos. Segue então o link de um desses textos sobre o que é ser zapatista no Brasil. . Boa leitura para quem quiser se aventurar nessa viagem e dêem um retorno.

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3026/9/
www.correiocidadania.com.br
Correio da Cidadania: imprensa alternativa de qualidade., O EZLN pode estar nos revelando um outro modo de ser e de estar no mundo que realmente se contraponha ao cerco massificante e homogeneizante do sistema capitalista.

Saturday, March 12, 2011

28.6.07 PROPAGANDA ENGANOSA E PREGAÇÕES GOLPISTAS NA WEB Celso Lungaretti Colaborou: Ismar C. de Souza


28.6.07

PROPAGANDA ENGANOSA E PREGAÇÕES GOLPISTAS NA WEB

Celso Lungaretti
Colaborou: Ismar C. de Souza

Eis duas maneiras totalmente distintas de relatar a morte de um policial durante o assalto simultâneo a dois bancos por parte da Vanguarda Popular Revolucionária:

“Na enésima hora Lamarca resolve participar, temeroso do que poderia ocorrer com tantos calouros estreando de uma só vez. Estaciona o carro e fica bebendo café num bar, a 50 metros de distância dos bancos, com seu .38 cano longo de competição guardado na bolsa capanga.

“Um transeunte percebe o que está acontecendo e alerta um guarda de trânsito. Inexperiente, o policial saca a arma e vai para a porta do banco, pronto para atirar no primeiro assaltante que sair.

“Lamarca retira o revólver da bolsa e atira daquela distância mesmo, pois não tem tempo para posicionar-se melhor. Pensa ter errado o primeiro tiro e dispara novamente. Crava uma bala na testa e outra na nuca do guarda.

“Depois, joga o revólver no carro e pega um fuzil. Com uma rajada para o alto, pára o trânsito e facilita a fuga dos companheiros. E, mandando os motoristas continuarem imóveis, vai calmamente até seu carro e dá a partida.” (Celso Lungaretti, “Náufrago da Utopia”, Geração Editorial, 2005)

“Na tarde de 09 de maio, Lamarca comandou o assalto simultâneo aos bancos Federal Itaú Sul-Americano e Mercantil de São Paulo, na Rua Piratininga, bairro da Moóca, cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado e o guarda-civil, Orlando Pinto Saraiva, morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Lamarca, que se encontrava escondido atrás de uma banca de jornais. No final da ação, disparou uma rajada de metralhadora para o ar, como a marcar, ruidosa e pomposamente, o seu primeiro assalto a banco e o seu primeiro assassinato.” (site Terrorismo Nunca Mais, “Lamarca: a Trajetória de um Desertor”, http://www.ternuma.com.br/lamarca.htm ).

Tal acontecimento foi notícia de primeira página nos jornais de todo o País em 1969. No entanto, durante a recente polêmica sobre a anistia do ex-guerrilheiro Carlos Lamarca, muitos veículos da grande imprensa, desconsiderando a informação correta facilmente encontrável em seus próprios arquivos, encamparam a insinuação do Ternuma, que omite o fato de terem se tratado de dois disparos de enorme distância.

A impressão que o texto capcioso do site de extrema-direita transmite é a de que Lamarca sai de trás de uma banca de jornal e fulmina o policial com dois tiros à queima-roupa. E a mídia acaba de embarcar nessa canoa furada: a menção ao “tiro na nuca” foi generalizada; a referência ao “tiro de longe”, praticamente inexistente.

Curioso, recorri aos sites de busca, atrás das fontes que induziram redatores e editorialistas ao erro ou lhes deram inspiração para agirem com má fé. Não precisei procurar muito. Eram, evidentemente, os Ternuma, Usina de Letras, Mídia Sem Máscara e A Verdade Sufocada da vida, que colocaram no ar um sem-número de textos protestando contra o que apresentaram como uma afronta do Governo Federal aos militares, convenientemente omitindo que tanto a anistia quanto a promoção póstuma de Lamarca a coronel já haviam sido decididas pela Justiça.

A propaganda enganosa chegou ao ápice no texto “Atentado ao QG do II Exército” ( http://www.ternuma.com.br/qg-2exer.htm ), no qual o Ternuma faz uma comparação entre as trajetórias do recruta que morreu nessa ação da VPR e Lamarca, com toque melodramáticos do tipo “o destino dos dois vai se cruzar tragicamente”.

Para sustentar esse enredo folhetinesco, não hesita em mudar a cronologia dos acontecimentos. Logo na primeira linha, diz que “em 1969, o jovem Mário Kosel Filho, conhecido em sua casa como ‘Kuka’, é convocado para servir à Pátria e defendê-la”. Só se for o fantasma do pobre Kuka, já que o próprio morrera em junho de 1968!

Além disto, o boato de que tal atentado teria sido orquestrado por Lamarca, trombeteado até hoje pela direita troglodita, não sobreviveu à reconstituição da história do período, que só pôde ser empreendida com metodologia científica depois do fim da ditadura militar, quando provas e depoimentos ficaram, enfim, disponíveis.

Já se sabe que Lamarca, então ainda servindo como capitão no 4º RI, só passou a interessar-se pela VPR ao tomar conhecimento de que fora autora do roubo de armas de um hospital militar, quatro dias antes do episódio do QG.

Foi quando ele resolveu procurar contato com a VPR. Supor que, em tão curto espaço de tempo, ele conseguisse alcançar uma organização clandestina, convencê-la de que não era um espião inimigo e ser admitido no planejamento de uma ação armada é simplesmente inadmissível para quem conhece as práticas e as regras de segurança dos grupos guerrilheiros.

Lamarca ainda passaria meses indeciso entre a VPR e a ALN, só optando pela primeira no final do ano. E seu ingresso no Comando da VPR aconteceria em abril de 1969. Então, as decisões relativas àquela ação do QG devem, isto sim, ser imputadas aos comandantes da VPR em meados de 1968, principalmente o também falecido Onofre Pinto. Mas, para quem continua até hoje obcecado em satanizar Lamarca, o que importa a verdade histórica?

Aliás, há alguns anos tentei fazer o Ternuma corrigir uma dessas fantasias tendenciosas que coloca no ar. No artigo “O Fracassado Seqüestro do Cônsul dos EUA” ( http://www.ternuma.com.br/consusa.htm ), um tal F. Dumont afirma que, na iminência de seqüestrar o cônsul Curtis Carly Cutter, a VPR teria me incumbido de, antecipadamente, redigir um comunicado informando que o diplomata, interrogado pelos militantes, admitira sua condição de agente da CIA e a cumplicidade da espionagem estadunidense com a repressão da ditadura. Ou seja, atribuíram-me a participação numa farsa inconcebível tanto para mim quanto para a VPR.

Depois de um grande esforço de memória, consegui me lembrar de que o Juarez Guimarães de Brito realmente me pedira para escrever o texto do panfleto a ser deixado no local de uma não especificada ação de seqüestro (que acabou não acontecendo), para explicar seu significado político: a troca do diplomata por companheiros que estavam sofrendo torturas atrozes e correndo o risco de serem executados. Mandei um e-mail pedindo que corrigissem aquele besteirol ou o tirassem do ar. Em vão, claro.

Então, é assim que os sites dos antigos torturadores e dos novos integralistas tratam os acontecimentos dos anos de chumbo, infestando a Internet com proselitismo na linha de Goebbels ("Uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade"): as informações extraídas dos famigerados Inquéritos Policiais-Militares e da documentação secreta cujo paradeiro o Governo Lula diz desconhecer são misturadas a falsidades e interpretadas da forma mais distorcida possível, para servir aos objetivos propagandísticos da extrema-direita no presente.

“Militares no poder já!” – E quais são esses objetivos?

O principal deles é a acumulação de forças para um novo golpe militar, pregado ostensivamente por entidades como o Grupo Guararapes e o Partido Vergonha na Cara.

O primeiro, que faz proselitismo no seio das Forças Armadas desde 1991, acaba de lançar esta sediciosa conclamação “Às Forças Armadas do Brasil”
( http://www.fortalweb.com.br/grupoguararapes/msg.asp?msg=239 ), amplamente divulgada nos sites, blogs e comunidades dos radicais de direita:

“Não temos governo. A anarquia inicia-se dentro do Gabinete da Presidência da República, onde o ocupante maior usa a mentira para se defender. Não é um estadista e sim um medíocre. Um fantoche nas mãos daqueles que desejam implantar um regime de força no País. O caso Lamarca, que fere o pundonor e a honra militar, é de sua inteira responsabilidade, como o chefe maior (...), e que acoberta seu Ministro da Justiça, um conhecido marxista, leninista e gransmicista. O Presidente Lula não merece mais o nosso respeito (...). Não o consideramos nosso chefe, pois ele não respeita nem cumpre a Lei, não merecendo nossa subordinação. O Grupo Guararapes, em defesa da honra da Nação brasileira, espera que as Forças Armadas revertam tal afronta. A honra ou a morte!”

Já o Partido Vergonha na Cara, cujos integrantes atuam principalmente no Orkut e usam narizes de palhaço em atos públicos, acaba de divulgar uma “Carta Aberta aos Militares” ( http://br.geocities.com/partidovergonhanacara/ ), pedindo que “as Forças Armadas cumpram o seu papel histórico e constitucional de proteger o Brasil de comunistas e assaltantes e criminosos que ameaçam o nosso país”. E termina seu manifesto com a exortação de “Militares no poder já!”.

Mais explícito, impossível.

Friday, March 11, 2011

FLÁVIO CARVALHO MOLINA (1947-1971)

Carta O Berro..........................................................repassem

FLÁVIO CARVALHO MOLINA (1947-1971)

Filiação: Maria Helena Carvalho Molina e Álvaro Andrade Lopes Molina

Data e local de nascimento: 08/11/1947, Rio de Janeiro (RJ)

Organização política ou atividade: MOLIPO

Data e local da morte: 07/11/1971 em São Paulo

Flávio foi o quarto militante morto, em poucos dias, do referido grupo de 28 integrantes do MOLIPO. A data mais provável de sua prisão é o dia 06/11/1971, mas seus companheiros na

organização clandestina tinham perdido contato com ele, em São Paulo, desde o dia 4. Somente no ano seguinte a imprensa divulgou as primeiras informações provenientes dos

órgãos de segurança dando-o como morto.

Apaixonado por camping, alpinismo e música clássica, Molina nasceu no Rio de Janeiro, onde cursou o primário nos colégios São Bento e São José. Despertou precocemente para a

militância política, quando cursava o científico no Colégio Mallet Soares. Em 1968, era calouro na Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha,

quando foi preso durante a histérica investida repressiva das forças policias, na sexta-feira 21 de junho, que ensejou a reação popular da Marcha dos Cem Mil, cinco dias depois.

Naquela data, foi invadido o campus onde Molina estudava e centenas de jovens como ele foram levados presos para o antigo campo de futebol do Botafogo, ao lado do Hospital

Rocha Maia, onde foram fichados.

Em 1969, já denunciado perante a Justiça Militar no Rio de Janeiro, Molina fez opção pela luta clandestina contra o regime militar, passando a militar na ALN. Seguiu para Cuba em

novembro daquele ano, de onde voltou em meados de 1971. Enviou regularmente notícias à família até 1970. Em agosto de 1972 os jornais publicaram referências genéricas à morte de

Flávio, mas sem qualquer informação adicional.

Sua família procurou as autoridades, tentando saber onde estava enterrado, mas foi em vão. A própria Justiça Militar sustentou que a notícia era infundada e Flávio continuou a ser

processado como revel. Seu nome foi excluído dos autos apenas na data do julgamento, quando foi extinta sua punibilidade por morte, a partir de informação prestada pelo então

diretor geral do DOPS, Romeu Tuma. Mesmo assim, a família não recebeu qualquer notificação oficial confirmando a morte e informando o local de sepultamento.

Somente em julho de 1979, através da localização, pelo Comitê Brasileiro de Anistia/SP, da documentação contendo essas informações, os familiares tomaram conhecimento

inequívoco da morte de Flávio. O ofício localizado era datado de 07/08/1978, sendo endereçado ao Juiz

Auditor e assinado por Romeu Tuma. Trazia em anexo o atestado de óbito, lavrado com a identidade de Álvaro Lopes Peralta. O delegado assumia a prisão de Flávio ao informar ao

Juiz que, por ocasião do "estouro do aparelho" onde havia sido preso José Roberto Arantes, teriam localizado manuscrito de encontro com André, que, na verdade, era Álvaro Lopes

Peralta ou Flávio Carvalho Molina, preso no dia 06/11, na rua Agostinho Gomes. Informa também que, ao ser "ouvido", André declarou ter um encontro na Rua Padre Marchetti, no

Ipiranga, em São Paulo, às 13 horas do dia 07/11. Levado ao local pelos agentes policiais, teria tentado fugir e sido baleado mortalmente.

Enterrado no dia 9 como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, seus restos mortais foram exumados e transferidos para a mencionada vala clandestina alguns anos depois. A

requisição de exame necroscópico no IML/SP, com a identidade falsa de Álvaro Lopes Peralta, já estava associada à verdadeira identidade. Em documento dos arquivos do DOPS/SP

constam todos os seus dados, nomes falsos e codinomes.

Ofício do CENIMAR nº 0396, de 13/07/70, também informa que ele usava o nome falso de Álvaro Peralta - tudo comprovando que o sepultamento com outra identidade foi intencional,

para acobertar as reais circunstâncias de sua morte.

De posse de documentos oficiais, em outubro de 1979 a família abriu processo exigindo retificação de assentamento de óbito e a reconstituição de identidade, ganhando a causa em

1981. Em 09/10/1981, ao buscar os restos mortais de Flávio, a vala comum do Cemitério de Perus foi aberta para a família, que constatou ser impossível identificar a ossada de Flávio

naquele momento. Mas não desistiu de resgatar seu corpo. Somente com a abertura da Vala de Perus, em 04/09/1990, um conjunto de ossadas pode ser transferido para o

Departamento de Medicina Legal da Unicamp.

O processo de Flávio foi levado à votação na primeira reunião da CEMDP, obtendo deferimento unânime. Passados 15 anos da abertura da vala clandestina de Perus e depois de várias

tentativas de extração do DNA, os restos mortais de Flávio Molina foram finalmente identificados pelo Laboratório Genomic, de São Paulo, em setembro de 2005, para onde tinham sido

enviados pela Comissão Especial. Esse foi o primeiro passo para a constituição do Banco de DNA dos mortos e desaparecidos políticos, efetivado em 2006.

Em 10/10/2005, um ato público no auditório da Procuradoria da República, em São Paulo, marcou a entrega da urna com os restos mortais de Molina ao seu irmão, Gilberto.

=============================================================================================================

+ Informações.

FLÁVIO DE CARVALHO MOLINA

Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em 08 de novembro de 1947, na Guanabara, filho de Álvaro Andrade Lopes

Molina e Maria Helena Carvalho Molina.

Morto aos 24 anos, em 1971, em São Paulo.

Cursou o primário nos colégios São Bento e São José no Rio de Janeiro. Era um

apaixonado pelo camping e o alpinismo.

Gostava muito de música clássica e era comum encontrá-lo à noite ouvindo o

programa "Primeira Classe", na época produzido pela Rádio Jornal do Brasil.

No período de 1966 e 1967, enquanto cursava o científico no Colégio Mallet Soares,

no Rio de Janeiro, iniciou a formação de sua consciência política. Havia muitas

manifestações estudantis, por um lado, e muita repressão policial, por outro.

Em 1968 entrou para a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de

Janeiro, na Praia Vermelha.

Foi preso em manifestação estudantil durante invasão do Campus pela polícia, sendo

levado em seguida para o antigo campo de futebol do Botafogo, ao lado do Hospital Rocha

Maia, assistindo ali às mais diversas atrocidades cometidas contra moças e rapazes, colegas

seus. Foi fichado e solto no dia seguinte.

Em julho de 1969, vendo-se perseguido pelas forças da repressão, já tendo sido indiciado em

inquérito na 2ª Auditoria do Exército, do qual foi posteriormente absolvido, e temendo a

possibilidade de ser preso novamente, optou por deixar a casa de seus pais, visando não transferir

para a família a repressão a ele dirigida. Trancou matrícula na Universidade e passou a viver

clandestino, militando na ALN.

Teve sua prisão preventiva solicitada em duas ocasiões, 06 de novembro de 1969 e 30

de janeiro de 1970.

Viveu em Cuba de novembro de 1969 até meados de 1971, quando retornou ao

Brasil.

Manteve contatos com a família através de encontros ou de cartas, até julho de 1970.

Preso no dia 06 de novembro de 1971, em São Paulo, por agentes do DOI/CODI-SP,

em cuja sede foi torturado até a morte.

Presos políticos que se encontravam nesse dia nas dependências do DOI/CODI são

testemunhas de que Flávio foi assassinado sob tortura no dia 07 de novembro de 1971,

desmascarando a versão oficial de que ele teria sido morto ao tentar reagir à prisão.

A primeira informação de sua morte foi em 29 de agosto de 1972, quando "O Globo" e o

"Jornal do Brasil" noticiaram o fato como ocorrido em choque com policiais em São Paulo,

referindo-se à data retroativa. A família consultou às autoridades quando, então, foi negada a

veracidade da notícia.

A prisão e morte de Flávio Molina não foram assumidas pelos órgãos de segurança

de imediato.

Sua família tentava desesperadamente alguma notícia, nas prisões e quartéis - tudo

em vão. Flávio, já morto, era processado como revel e, apenas quando do julgamento é que

seu nome foi excluído do processo por morte, extinguindo sua punibilidade. Mesmo assim,

a família não recebeu qualquer notificação sobre o ocorrido.

Somente em julho de 1979 a família, por investigação própria e com apoio dos

Comitês Brasileiros de Anistia, tomou conhecimento de seu assassinato através de

documentos oficiais anexados a um processo na 2ª Auditoria da Marinha, sem que jamais

tivesse havido uma comunicação, mesmo que informal, a seus familiares.

Nessa documentação, a Auditoria é informada da morte de Flávio, cujo corpo tinha

sido enterrado como indigente, em 9 de novembro de 1971, no Cemitério Dom Bosco, em

Perus, sob o nome de Álvaro Lopes Peralta. Fica evidente a ocultação premeditada do

cadáver de Flávio pelos seus assassinos, como mais uma forma de encobrir a morte sob

tortura. Nem ao menos retirar os ossos de Flávio foi permitido à família, pois foi sepultado

na cova n° 14, Rua 11, Quadra 2, Gleba 1, em Perus - SãoPaulo, como indigente, em 09 de

novembro de 1971, com o nome falso e registro n° 3.054, fora transferido para uma vala

comum, em 1976.

A requisição de exame necroscópico no IML/SP, sob o n° 43.715, em 16 de

novembro de 1971, com a identidade falsa de Álvaro Lopes Peralta já estava associada à

sua verdadeira identidade.

Os médicos legistas Renato Capellano e José Henrique da Fonseca procederam à

necrópsia.

Desenho de Molina feito por seu amigo e companheiro, Frederico Mayr, em março de 1967, também assassinado pela

ditadura.

A certidão de óbito, com o mesmo nome, foi registrada sob o nº 50.741 - fl. 191V -

livro C.73, tendo sido declarante Miguel Fernandes Zaninello, indivíduo identificado em

outubro de 1990, como tenente da polícia militar reformado, conforme depoimento

prestado à CPI da Câmara Municipal de São Paulo, no mesmo mês.

No documento 52-Z-0 - 38.270, dos arquivos do DOPS/SP constam todos os seus

dados, bem como nomes falsos e codinomes, inclusive o de Álvaro Lopes Peralta - com o

qual foi lavrada a certidão de óbito e enterrado como indigente no Cemitério de Perus.

Ofício do CENIMAR n° 0396, de 13/07/70, informa que Flávio de Carvalho Molina,

usava o nome falso de Alvaro Lopes Peralta, o que demonstra que seu nome verdadeiro era

conhecido da polícia bem antes de sua morte e o seu sepultamento com nome falso foi

intensional.

Em outubro de 1979, de posse de documentos oficiais, a família abriu processo em

São Paulo exigindo retificação de assentamento de óbito e reconstituição de identidade,

ganhando a causa em 1981.

Em 09 de outubro de 1981, houve a oportunidade de abrir a vala comum para a

família e constatar a existência das ossadas. Percebeu-se naquela ocasião a necessidade de

apoio técnico e respaldo político, o que só foi conseguido em 1990.

Em 4 de setembro de 1990, com a abertura da Vala de Perus as ossadas foram

trasladadas para a UNICAMP, onde se encontram para identificação.

Em novembro de 1991, transcorridos 20 anos de sua morte, a família, com toda a

garra que caracteriza a busca da justiça, abriu processo contra a União Federal na 17ª Vara

da Seccional do Rio de Janeiro, protocolo n° 9101180125, sob responsabilidade do Juiz

Wanderley de Andrade Monteiro.

A característica romântica de Flávio permitiu que compusesse algumas poesias e

pequenos ensaios de peças teatrais.

Transcrevemos abaixo fragmentos de poesias de sua autoria:

"BALADA PARA ALGUÉM DISTANTE

Por que alguém, mais dia menos dia,

Fica ausente?

Brincando com o coração da gente

Tirando a nossa alegria...

Por que alguém, mais dia menos dia,

Deixa tudo?

Deixando também um coração mudo

De tanta melancolia...

Por que alguém, mais dia menos dia,

Parte para um lugar distante?

Causando uma dor talhante,

Que ninguém mais avalia..."

"MINHA PRESENÇA

A dor que te devora

Muitos a tem agora.

Reage!

Luta contra ela,

Pois senão te dilacera

E ainda mais vais sofrer,

Pois continuará a doer.

Estou aqui.

Aqui, bem junto a ti.

Posso não estar presente

Mas por mais que me ausente

Sempre estarei aqui.

Flávio 12/02/69

=============================================================================================

+ detalhes

Ditadura: Justiça mantém inquérito que pode acusar Tuma
Da Redação - 28/05/2010 - 19h19

Senador Romeu Tuma, chefe do Dops
na época do crime, em 1978
O juiz federal Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, manteve o inquérito que apura a ocultação do cadáver de um militante de esquerda morto em 1971, após ser preso por agentes militares. Entre os possíveis acusados pela participação no crime, está o atual senador Romeu Tuma (PTB), chefe do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) em 1978.

Em sua decisão, o juiz pede que os autos sejam encaminhados ao STF (Supremo Tribunal Federal), pois, diante da presença de um senador da República entre os acusados, cabe ao "Supremo Tribunal Federal deliberar a respeito e promover o encaminhamento dos autos para o procurador geral da República, se entender necessário".

O MPF (Ministério Público Federal), desde 2008, vem atuando para a condenação de crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura por meio de uma série de representações criminais, propostas pela procuradora da República Eugênia Fávero e pelo procurador regional da República Marlon Alberto Weichert. Neste caso, no entanto, a procuradora Cristiane Canzian agiu em sentido contrário e pediu o arquivamento desta ação.

Ao discordar da decisão ministerial, Ali Mazloum, manteve o inquérito para abertura do caso. Sendo Romeu Tuma senador e um dos acusados, o juiz representou ao STF, cumprindo a prerrogativa que estabelece foro privilegiado ao parlamentar.

No entendimento do juiz, somente em 2005 houve a efetiva descoberta do corpo do militante Flávio Carvalho Molina, através da confirmação dos exames periciais. Portanto, a consumação do crime de ocultação de cadáver cessou com a identificação da vítima e seu sepultamento em lugar definitivo naquele ano.

Ainda que o juiz não tenha discutido a validade da Lei de Anistia (6.683/79), ele ressaltou que, nesse caso, a ocultação de cadáver estaria fora do alcance da anistia ou "esquecimento estatal".

"Trata-se, aqui, de crime imprescritível", observou, ao citar os termos do artigo 5º, inciso XLIV, da Constituição Federal. Segundo a decisão, mesmo se aplicado o artigo 109, inciso IV, do Código Penal, a prescrição do crime ocorreria somente em 2013.

Leia a íntegra da decisão aqui.

O caso

O militante do Molipo (Movimento de Libertação Popular), dissidência da ALN (Ação de Libertação Nacional), Flávio Carvalho Molina foi preso em novembro de 1971 por agentes do DOI-CODI, de São Paulo - órgão do Exército, então sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Miguel Fernandes Zaninello. Flávio teria sido morto no dia seguinte à sua prisão, conforme informações prestadas em agosto de 1978 pelo chefe do Dops, delegado Romeu Tuma.

A família da vítima tomou conhecimento dos fatos somente em 1979, mas o corpo de Flávio permanecia oculto, pois foi enterrado com o nome falso que ele costumava utilizar na época em que agia pelo Movimento (Álvaro Lopes Peralta). Em 1981 foi realizada retificação judicial do registro de óbito, quando se fez constar o verdadeiro nome do morto, mas, segundo o juiz, "o corpo de Flávio sem dúvida nenhuma continuava oculto. A família da vítima continuava sem poder realizar o sepultamento de Flávio, justamente por desconhecer onde seu corpo estava escondido".

Em 1990 foi descoberta uma vala comum clandestina dentro do cemitério de Perus, com milhares de ossadas onde poderia estar escondido o corpo de Flávio. Para Mazloum, "sob hipótese nenhuma pode-se dizer que neste momento foram encontrados seus restos mortais. A ocultação do cadáver permanecia. Vale dizer que, caso a perícia não tivesse identificado o corpo de Flávio em 2005, as buscas ainda estariam em curso para elucidação do crime".

Leia mais:
MPF processa Maluf e Tuma por ocultação de cadáveres durante a Ditadura
Universidades e legistas são acionados por demora para identificar ossadas
TRF-3 reabre processo sobre morte de operário durante tortura no DOI-Codi

===============================================================================================

+ detalhes

Homenagem a Flavio Carvalho Molina
09 de outubro de 2005
Ato em Homenagem a Flavio Carvalho Molina assassinado sob tortura em São Paulo, em 1971, e sepultado nome falso na vala clandestina de Perus.

Homenagens, Protestos e Cobranças
10 de outubro de 2005 às 16 h
Palacio Tiradentes, sala 311 - ALERJ

Sepultamento
11 de outubro de 2005 às 11 h
Cemitério São João Batista - portão principal Família recebe restos mortais de desaparecido durante a ditadura militar

Marli Moreira
Agência Brasil

São Paulo - Em uma pequena cerimônia no auditório da Procuradoria da República foi entregue, hoje (10) pela manhã, a urna com os restos mortais de Flávio Carvalho Molina ao irmão dele, Gilberto Molina, engenheiro civil e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais. O ato aconteceu quase 34 anos após a morte de Flávio, militante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), grupo que agia contra o regime da Ditadura Militar (1964-1985).

Flávio Molina morreu sob tortura em uma sala do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), quando tinha 24 anos, em novembro de 1971. "Depois de tantos anos poder, enfim, prestar-lhe essa última homenagem traz um sentimento de alívio à nossa família", desabafou Gilberto Molina.

O engenheiro contou que a família sofreu muito com o desaparecimento de seu irmão. Só oito anos mais tarde surgiu a informação de que ele fora torturado em um sala do Dói-Codi e enterrado com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta.

Oficialmente, o governo havia informado que ele fora assassinado. O corpo da vítima foi enterrado clandestinamente numa vala coletiva no cemitério de Perus, na zona oeste da cidade de São Paulo. Apenas em 1990 foram feitas as primeiras escavações para a exumação. Os fragmentos encontrados passaram por oito exames de DNA, alguns deles realizados fora do país, na Inglaterra, Colômbia e Argentina. O atestado que finalmente identificou os restos de Flávio foi feito pelo laboratório Genomic, de São Paulo, com resultados divulgados no último dia 2 de setembro.

Gilberto Molina partilhava dos ideais do irmão e também chegou a ser detido. "No meu caso tinha uma participação na Ação Popular, no Rio, não era luta armada". Os integrantes da Molipo tinham uma ação mais agressiva contra o regime governamental e chegavam inclusive a fazer treinamentos de guerrilha em Cuba. Entre os ex-militantes da Molipo está o ex-ministro da Casa Civil, deputado federal (PT-SP), José Dirceu. Ele compareceu hoje à solenidade de entrega dos restos mortais de Flávio, mas não quis fazer declarações.

Durante a cerimônia transmitida uma gravação do Hino Nacional, solicitado um minuto de silêncio e lido um poema da vítima que diz: "Por que alguém, mais dia menos dia, fica ausente? Brincando com o coração da gente, tirando a nossa alegria... Por que alguém, mais dia menos dia, deixa tudo? Deixando também o coração mudo, de tanta melancolia..."

A urna com os restos mortais de Flávio foi levada para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, onde será realizada nova cerimônia. O sepultamento está marcado para às 11h de amanhã, no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo.

10/10/2005


----------

_______________________________________________
Cartaoberro mailing list
Cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br
http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro