APESAR DE VCs

APESAR DE VCs
Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Thursday, July 28, 2011

UM FILHO DA PÁTRIA QUE FOGE À LUTA: BRILHANTE USTRA

Embora adorem cerimônias cívicas e hinos, os militares brasileiros nem sempre se colocam à altura dos modelos que cultuam.

O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra -- aquele que, segundo a frase imortal do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, “emporcalhou com o sangue de suas vítimas a farda que devera honrar” -- faz jus ao nome: fecha-se como uma ostra quando confrontado com seus  feitos. A ele não se aplica o "verás que um filho teu não foge à luta". Nem de longe.

Desde que a atriz Bete Mendes, ainda no (des)Governo Sarney, o identificou como o antigo comandante do DOI-Codi, principal centro de torturas paulista durante os  anos de chumbo, Ustra evita o confronto com seus acusadores. Alega inocência, mas age como o culpado que, indubitavelmente, é.

Baseia-se nos relatórios secretos militares -- aqueles que o Governo nunca consegue encontrar, mas a extrema-direita virtual utiliza dia e noite como munição propagandística -- para escrever livros e artigos que, fosse este um país sério, acarretariam a ele punição idêntica às impostas no 1º mundo a quem nega a existência do Holocausto.

Pois é exatamente isto o que Ustra faz por aqui: ataca as vítimas de um genocídio, tentando desacreditá-las para tornar menos chocantes os atos praticados por seus algozes, esbirros de uma tirania tão bestial quanto boçal.

Suas bravatas, contudo, restringem-se ao teclado e aos discursos falaciosos que profere quando  desagravado  por seus pares no Clube Militar. Os veteranos do arbítrio ajudam uns aos outros, no afã de evitar que os esqueletos saiam de seus abarrotados armários.

Da prova dos nove no único campo de honra que restou, a Justiça, ele quer distância. Alega que sufocaram sua verdade mas, quando teve a oportunidade de a expor, preferiu orientar seu advogado a tentar, de todas as maneiras, obter o arquivamento, sem julgamento do mérito da questão, do primeiro processo que lhe foi movido pela irmã e pela ex-companheira de Luiz Eduardo Merlino.

A defesa chutou em todas as direções. Pretendeu que Angela Mendes de Almeida não comprovara a união com o jornalista assassinado no DOI-Codi (perseguidos políticos têm obrigatoriamente de se casar, mesmo durante uma terrível ditadura?!) até que a ação carecia de razão de ser, pois só visava obter uma declaração de que Ustra era assassino, sem pleitear qualquer forma de reparação.

A primeira saída pela tangente foi impugnada pela corte, mas a segunda colou. Então, Ustra preferiu ver extinto o processo em função de uma filigrana jurídica do que sustentar a própria inocência. Para bom entendedor...

Pior ainda fez no processo que lhe movia, também em 2008, a Família Teles: quis escapar à responsabilidade por seus atos, transferindo-a totalmente para a  gloriosa  corporação, ao protocolar uma contestação segundo a qual "agiu como representante do Exército, no soberano exercício da segurança nacional".

Ou seja, sugeriu formalmente que o Exército tomasse seu lugar no banco dos réus, conforme se constata neste trecho:
"O Exército brasileiro é uma pessoa jurídica, sendo que, pelos atos ilícitos, inclusive os atos causadores de dano moral, praticados por agentes de pessoas de direito público, respondem estas pessoas jurídicas e não o agente contra o qual têm elas direito regressivo. (...) Todas as vezes que um oficial do Exército brasileiro agir no exercício de sua funções, estará atraindo a responsabilidade do Estado".
A corte, certamente inspirada em exemplos como o do julgamento dos dirigentes nazistas em Nuremberg, declarou Ustra torturador, pois há uma responsabilidade pessoal e intransferível, sim, em quem cumpre ordens que constituem crime contra a humanidade.

Agora, na segunda ação relativa ao assassinato de Merlino -- desta vez por danos morais --, Ustra não teve sequer a coragem de se colocar frente a frente com seus acusadores, olho no olho. Optou por não comparecer à audiência desta 4ª feira em São Paulo.

As seis testemunhas -- inclusive o antigo titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi -- confirmaram que Merlino foi barbaramente torturado sob as ordens e com a participação de Ustra, daí decorrendo a gangrena nas duas pernas e a morte.

E o próprio advogado do torturador, Paulo Esteves, admite implicitamente a culpa do seu cliente, como se depreende da notícia publicada na Folha de S. Paulo:
"Esteves disse que o principal (sic) argumento da defesa do ex-chefe do órgão repressor na ação é que, caso tivessem ocorrido de fato os crimes, eles já estariam prescritos e, por isso, Ustra não poderia ser punido".
Evidentemente, o eminente jurista Fábio Konder Comparato replicará que assassinato decorrente de tortura é, tanto quanto a própria tortura, crime hediondo e imprescritível.

Mas, importante mesmo é a atitude.

A Pátria e o Exército de Caxias estão constatando que têm, sim, filhos que fogem à luta, da forma mais vexatória, como coelhos assustados.

SOBRE O MESMO ASSUNTO, LEIA TAMBÉM: DIANTE DA LEI

Wednesday, July 27, 2011

DIANTE DA LEI (HOJE)

Diante da lei está um porteiro. Um cidadão de país dito democrático chega a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que, por determinação da juíza, não pode permitir-lhe a entrada.

Quase um século depois, vi-me repetindo o enredo kafkiano.

A porta em questão foi a da 20ª Vara Cível, no Fórum João Mendes.

E eu não me conformei em esperar, como o fictício homem do campo da Checoslováquia; pedi ao porteiro que transmitisse à juíza minha solicitação de ingresso.

Ele tinha em mãos a lista dos poucos que poderiam ser admitidos na audiência de testemunhas de acusação contra o coronel reformado Carlos Brilhante Ustra, na ação por danos morais que lhe movem a irmã e a antiga companheira do jornalista Luiz Eduardo Merlino.

Gato escaldado por uma má experiência em Brasília -- tive de sair correndo até a Cia. do Terno para poder assistir ao julgamento de Cesare Battisti no STF, já que calça e casaco não bastavam --, cheguei cedo e com traje formal completo, inclusive gravata. Sacrifício inútil.

A desculpa para manter imprensa e público do lado de fora foi a exiguidade de espaço.

Como se isto fosse motivo suficiente para tornar  fechada  uma audiência aberta!

Aleguei ser defensor dos direitos humanos e veterano da resistência ao arbítrio, reconhecido por dois governos como vítima da ditadura.

Aleguei ter estado preso no DOI-Codi que Brilhante Ustra comandou, terrível centro de torturas e palco de cruéis assassinatos.

Aleguei ter perdido amigos e companheiros queridos nas mãos de carrascos como o que está sendo processado.

O porteiro voltou com a resposta da juíza: infelizmente não havia mesmo espaço, blablablá, e depois seria entregue um relato aos interessados. [Evidentemente em juridiquês, ou seja, frio como gelo...]

Fiquei curioso: quem era, afinal, esta juíza que tão insensivelmente me batia com a porta da lei na cara?

Consultei o Google e fiquei sabendo que foi aprovada no vestibular de 1995.

Talvez nem tivesse nascido quando eu quase morria no DOI-Codi do Rio de Janeiro, irmão gêmeo daquele que Brilhante Ustra comandou na rua Tutóia.

Quando aproximadamente 20 companheiros que conheci pessoalmente -- um deles meu amigo de infância -- eram assassinados pelas bestas-feras do arbítrio.

Quando juiz nenhum ousava ir nos porões onde seres humanos éramos massacrados.

E são tão poucos os que hoje reconhecem o heroísmo dos heróis e o martírio dos mártires!

E são tantos os indiferentes à luta quase suicida que travamos para livrar o Brasil do despostimo (ou, pelo menos, evitar que o povo brasileiro carregasse o opróbrio de haver docilmente consentido em ser tiranizado)!

Não, senhora juíza, nós merecemos respeito.

Se já nos negam o direito de ver exemplarmente punidos aqueles que nos torturaram e trucidaram nossos irmãos de ideais, que, pelo menos, esses monstros respondam por seus crimes no tribunal das consciências.

Que todos saibam -- que as novas gerações, principalmente, saibam  -- quem foi Brilhante Ustra e o festival de horrores que ele comandou, pela boca de suas vítimas -- as quais, elas sim, passaram muito tempo obrigadas a  sufocar  sua  verdade, quase enlouquecendo de tanta dor e tanta raiva!

O grito é tudo que nos resta, agora. E se gritamos, é para sermos escutados.

Até isto V. Ex.ª  nos tirou, senhora juíza, ao trancar a porta do seu tribunal, impedindo que fossem ouvidos de viva voz os torturados e que a imprensa transmitisse toda a carga emocional da audiência!

Muitos silenciavam sobre as atrocidades durante os anos de chumbo. Em 1985, eu acreditei que nunca mais me depararia com este silêncio cúmplice.

Hoje, não tenho mais tal certeza. Só imenso pesar e extrema indignação.

Tuesday, July 26, 2011

RESCALDO DE UM ATENTADO DEBILÓIDE

O filósofo Vladimir Safatle continua sendo responsável por alguns dos fugazes lampejos de vida inteligente que ainda encontram brecha no  inferno pamonha  engendrado pela indústria cultural.

No artigo Um fantasma na Europa, ele disseca o atentado norueguês com base nas leituras que Theodor Adorno e Max Horkheimer fizeram do totalitarismo contemporâneo, acertando na mosca:
"...o fascismo conseguira se colocar como um modelo de forma de vida. No caso, uma forma de vida constituída através da transformação de comportamentos patológicos em norma social, de temáticas que normalmente aparecem em delírios paranoicos no conteúdo de discursos políticos tacitamente aceitos.

Assim, delírios de perseguição se normalizavam por meio da crença de que um elemento estranho estava infectando a bela totalidade de nosso corpo social. Elemento que destruiria, com o beneplácito de cosmopolitas ingênuos, nosso caráter nacional naquilo que ele teria de mais especial.

Força e disciplina eram convocadas para restaurar esse corpo quase moribundo separado de seu solo, mesmo que tal solo seja hoje uma fazenda de produtos orgânicos.

Por sua vez, delírios de grandeza animavam discursos que pregavam a amplidão redentora da nação. A identidade era, assim, elevada à condição de sistema defensivo ameaçado, e, por isso, compulsivamente afirmado.

Não por acaso, palavras como 'limite', 'fronteira', 'território' tornavam-se os significantes centrais do discurso político. A defesa da identidade se tornava uma patologia.
 Lembrar isso, após o massacre em que um norueguês islamófobo, cristão conservador e simpatizante de partidos de extrema-direita matou dezenas de jovens do Partido Trabalhista, é só uma forma de insistir como alguns não aprendem nada com a história.
 Tal como o direitista americano que, meses atrás, atirou contra uma deputada democrata em Tucson contrária a leis mais duras contra a imigração, o que temos aqui é simplesmente alguém que quer realizar tal forma de vida fascista com as próprias mãos.
Eles não querem esperar os partidos xenófobos ganharem para 'eliminar' os imigrantes. Preferem passar ao ato, literalizando o discurso que ouvem todos os dias".
 Vou além: a tralha que a indústria cultural despeja nas telinhas e telonas, pura lavagem cerebral, martela o tempo todo a noção de que a ameaça aos  bons, aos  normais  e  saudáveis, são os  maus, os  aberrantes  e  doentios   que vêm ameaçar o status quo, principalmente o  terrorista  e o  serial killer.

Enquanto o capitalismo solapa as próprias bases da existência humana, suas patéticas vítimas são tangidas a  sentirem  a sociedade como um  bem  a ser preservado das investidas de vilãos mefistofélicos que vêm de fora para a destruir, com o apoio de alguns traidores de dentro.

Então, não há motivo para estranharmos que o debilóide norueguês tenha levado às últimas consequências  aquilo que vem sendo plantado na sua cabeça dodói desde criancinha -- é, p. ex., o que se vê na série Harry Potter, o mundinho paradisíaco da escola de bruxaria ameaçado pelo caos que um Bin Laden de nariz achatado personifica.

A escola destruída no episódio (por enquanto...) final não se confunde, no imaginário dos videotas, com as lembranças traumáticas do WTC posto abaixo?

anulação do diferente  é a mensagem que os meios propagam sem parar, tangendo as pessoas à defesa obsessiva de um status quo que, ele sim, é a verdadeira ameaça à paz, à felicidade e à própria sobrevivência da espécie humana; e  imunizando-as  contra o antídoto oferecido pelos que, via transformação da sociedade, as tentam salvar.

Saturday, July 23, 2011

CHAME O LADRÃO!


"Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa, santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão"

Alvo preferencial das tesouras da ditadura militar, o sempre criativo Chico Buarque bolou em 1974 um estratagema para suas composições não serem obsessivamente dissecadas pelos censores, sempre à procura de pêlo em ovo: passou a enviá-las às  donas solanges  da vida com a assinatura inventada de Julinho da Adelaide.

A artimanha deu tão certo que até uma entrevista do tal Julinho foi publicada na Última Hora, conforme se vê aqui.

É óbvio que o segredo não duraria muito. Mas, permitiu que se tornassem bem conhecidas "Jorge Maravilha" ("E como já dizia Jorge Maravilha/ Prenhe de razão/ Mais vale uma filha na mão/ Do que dois pais voando") e "Acorda Amor".

Esta última é uma limonada feita com o limão do pesadelo que assombrava a todos nós, opositores do arbítrio: o da campainha soando no meio da noite, para anunciar que iríamos ser sequestrados, torturados, mortos.

[Dois anos depois de sair das prisões militares, fui despertado em plena madrugada por alguém que dizia estar procurando uma determinada família. Alegou saber a posição do apartamento mas não o andar, de forma que, começando pelo 21º, estaria acordando os moradores dos apês de final 3, um após outro. Nunca soube se era verdade ou, o mais provável, uma verificação policial. Mas, ao abrir a porta já me preparava para o pior. E depois não consegui pregar o olho...]

Peruas Veraneios com chapas 'frias' eram
a marca registrada dos órgãos de repressão
Chico/Julinho fez humor em cima do horror, ao destacar a inversão de valores: a polícia transformada em ameaça e o ladrão, em defensor.

Foi o que me acorreu, ao ler que as duas principais associações de juízes brasileiros saíram em defesa de José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal que ausentou-se de uma sessão de julgamento para viajar à ilha de Capri, na Itália, onde participou da nababesca festa de casamento de um grande advogado.

Ou seja: para ambas, nada existe de errado em faltar no trabalho por motivo banal e em, possivelmente, ter suas despesas de hospedagem e deslocamentos bancadas por quem atua como criminalista em dois processos dos quais Toffoli é relator (o cabulador de julgamentos garantiu ter pagado do seu bolso as passagens aéreas, negando-se, entretanto, a falar sobre os demais custos -- mesma atitude do anfitrião Roberto Podval).

"Os casos de suspeição previstos em lei são referentes apenas a relação de amizade íntima ou inimizade capital entre o magistrado e a parte e jamais em relação ao advogado", afirmou, em nota, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Gabriel Wedy, esquecendo-se de discorrer sobre os casos de suspeição previstos na ética.

"O caso não tem essa gravidade. Juízes, promotores e advogados convivem a vida toda", disse Nelson Calandra, da Associação dos Magistrados Brasileiros, repetindo a ladainha dos políticos acusados de corrupção: "todo mundo faz igual". 

Trabalhando em comunicação empresarial, eu cheguei a editar o jornal que uma multinacional farmacêutica enviava aos médicos. O sucesso da linha de produtos da empresa  dependia inteiramente que os doutores os indicassem a seus pacientes. Daí os frequentes convites para que os discípulos de Hipócrates (ou não passariam de  hipócritas?) curtissem agradáveis fins de semana em cruzeiros marítimos, com todas as despesas pagas.

Eu era obrigado a noticiar com destaque e muitas fotos tal absurdo, para despertar nos não convidados a vontade de fazerem por merecer o convite na vez seguinte. E as associações de médicos também nada viam de errado em tal prática.

Chame, chame o ladrão, chame o ladrão!

SOBRE O MESMO ASSUNTO, LEIA TAMBÉM:
A GRANDE ESPERANÇA BRANCA 

Tuesday, July 12, 2011

Juntos Somos Fortes: 'QUEM NAO SE COMUNICA SE ESTRUMBICA' - Conhecendo ...

'QUEM NAO SE COMUNICA SE ESTRUMBICA' - Conhecendo acomunicação e as formas para avançarmos no desafio

Tá 'rolando' um bate-papo e resgate de memórias importante na comunidade DOCUMENTOS DA DITADURA. Memórias vivas começam a resgatar as formas usadas para comunicação entre resistentes na Ditadura. Vencer as barreiras de comunicação ainda é um grande desafio, Abaixo uma primeira etapa do bate papo, atualizaremos sempre que tiver novidades.
Acompanhem

Como era feita a comunicação entre guerrilheiros e resistentes com grupos distintos/pares/e apoiadores? Bora resgatar esta parte da história?
sabemos que músicas, jornais, mas queremos saber de outras historias e detalhes de todas. Resistentes, PRESENTE?
Ontem às 10:14 · · ·

    • Fernanda Tardin
      Bem, tem tempo ( uns dois anos) que recebi este mail de um ( até então) companheiro virtual:
      "Nanda,


      Um dia desses fiz essa pergunta, mas você não respondeu.


      Gostaria de saber porque trabalhei em Vitória nos anos 70 (A GAZETA). Mais exatamente de 1972 a 1976. Se você é capixaba (e já vi que é jovem) diga-me quantos anos você tinha nessa época. Depois eu digo por quê.


      M. Pacheco – QUEM SE OMITE, PERMITE! (http://www.quemseomiteperm​ite.blogger.com.br/)"
      há 23 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin
      Além de ter falhas de memória ( ou ter pouca idade na época), não reconheci , durante todo o tempo de amizade virtual o M.Pacheco, e dada a resposta a ele, recebi outra e fomos trocando mail, tel, informações aqui e ali, poucas , pois ele lançará um Livro Biografico e tenho que aguardar para saber detalhes, mas coloco aqui a parte da história de M. Pacheco referente a uma forma de comunicação usada na época , tendo CERTEZA que neste grupo alguns participantes vao recordar esta etapa e com sorte acrescentar outras informações e outras histórias. Bora?
      há 23 horas · · 2 pessoas
    • Fernanda Tardin
      ‎"Meu papo também é longo. Tão longo que estou colocando em um livro.

      Título do livro: VOTE NULO, E VOTE CONSCIENTEMENTE! (Vote nulo! E todo o mundo se curvará diante da certeza de que o brasileiro é um povo politizado). Este é o parágrafo final do MANIFESTO DO VOTO NULO que redigi em 1966 e me levou à prisão em 1971.

      Explico: A campanha do voto nulo em 1966 só aconteceu no RJ (Guanabara) mas só beneficiou ao governo. E a “oposição” perdeu muitos votos porque, quem anulou o voto era eleitor dos mais radicais e autênticos.

      Meu jornal recebeu a visita dos agentes da repressão e fui “aconselhado” a deixar de escrever sobre política, ou seria preso e meus direitos cassados.

      Em 1970, o próprio partido do governo levou meu manifesto para o Brasil inteiro. O voto nulo “arrebentou” e eles conseguiram o que queriam. A maioria no Congresso.

      No finalzinho de 70, aconteceu o seqüestro de um embaixador, e o DOPS/RJ prendeu todos os já conhecidos envolvidos em movimentos de oposição. Eu, um deles. Fiquei preso de janeiro de 1971 a abril de 1972, aguardando julgamento. Por fim fui libertado. Mas não conseguia trabalho.

      Em agosto fui para Vitória.

      Convidado a editar o suplemento GAZETINHA, aceitei, por falta de opção. Mas não me arrependo.

      Consegui criar uma geração de cidadãos conscientes. Você faz parte dessa geração...."
      há 23 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin
      ‎"...Jovens da faixa etária entre 11 e 14 anos, me ajudavam a fazer o suplemento, reunindo-se em grupos de cinco, em seus bairros e cidades e me enviando material que eu transformava em colunas, identificando os autores. Se o jornal dos adultos não tinha voz, minhas crianças diziam o que bem entendiam, inclusive denunciando irregularidades em seus municípios.

      Havia um slogan que os incentivava: JOVEM, ESTE MUNDO É TEU. NÃO DEIXE QUE OS ADULTOS DESTRUAM A TUA HERANÇA!

      Tenho boas lembranças do ES. Deixei bons amigos.

      Minha vida foi facilitada pela coincidência do sobrenome PACHECO que era o mesmo do diretor presidente e do diretor responsável da Gazeta – General Darcy Pacheco de Queiroz. Acho que a PF nunca se preocupou comigo, devido ao sobrenome.

      Mas você não imagina o que tenho para dizer sobre o período em que estive na tua terra, vivendo na CLANDESTINIDADE até que o Cariê (dono da gazeta) descobriu meu passado e fui obrigado a sair do jornal e de Vitória, reiniciando tudo em Curitiba.

      Acho que você deve conhecer alguém que participou da Gazetinha daqueles tempos.

      Um forte abraço...."
      há 23 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin
      Bem,e foi só,com algumas reticencias e pistas ( depois confirmadas por ele), mas bastou para que eu fosse 'seguir a trilha' e buscar dados: Bem tinha na época 4, 5 anos em 76 tinha 9 anos. Lembro de fazer alguns programas na tv. Com Milson Henriques ( teatrinho, estas coisas) junto a tantas outras crianças, mas não lembrava de forma alguma o descoberto: Era eu, uma das crianças que 'ajudava ' a fazer o jornalzinho. Desenhos, cartinhas....era a base da comunicação entre resistentes e guerrilheiros , presos ou em campo. Enfim, A LUTA CONTINUA, Vencer BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO ainda hoje é fundamental, e por isto venho conclamar por memorias referentes a esta etapa da luta. Aos compas em geral um abraço aosque viveram este capitulo e tem recordação , um apelo. PS: Sigo hoje, numa luta travada com a rede gazeta de comunicações, em especial . a Rede manipulo responde a um mail assim: " Boa Sorte com a midia nacional e internacional, aqui publicamos o que nos serve. " A LUTA TEM QUE CONTINUAR, bora as recordações historicas. Temos herois para que? bjao
      há 23 horas · · 1 pessoa
    • José Gomes da Silva
      Fernanda, havia muitas formas de comunicação, dependendo das circunstâncias. Um prova é que, quando estavam presos, criaram uma forma de comunicação, com espelhos e toques de canecos de estanho nas grades. Depois que saíram, os criminosos passaram a adotar a tática de comunicação...só que dessa vez pra o crime. Há quem diga, até (não tenho nenhuma informação fundamentada), que até o nome "Comando Vermelho" foi originado de um comando que a esquerda criou na prisão, pra proteger e unificar a defesa de todos os presos políticos, no presídio, independente de sua facção (PRC, MEP, POLOP, PDBR, PCR, ALN, ANL, etc.). Abços.
      há 23 horas · · 4 pessoas
    • Marco Lisboa
      Para divulgar a guerrilha do Araguaia, o PC do B editava um jornal, salvo engano, Brasil Notícias. Ele usava dados recolhidos nos jornais legais (Estadão e JB, por exemplo) e noticías vinculadas através da Rádio Tirana. A partir de 74 já não havia qualquer comunicação entre o partido e a guerrilha. Os últimos guerrilheiros foram caçados um a um. Valquíra, a última guerrilheira morreu em outubro deste ano. Foi ela quem me recrutou para o PC do B. Este noticiário era mimeografado e enviado pelo correio para as redações de jornais e alguns endereços de pessoas que lutavam contra o regime. Uma parte era entregue em mãos. Mas em 76 o partido estava praticamente destruído no Brasil e a maior parte de sua direção no exterior. Os militantes de AP, que haviam ingressado em 73 estavam organizados em estruturas separadas. No Rio, por exemplo, havia duas estruturas. Depois disso as organizações legais de massa, como diretorios e sindicatos começaram a se rearticular. Em 75 surgiu o jornal Movimento e em 76 a censura praticamente saiu das redações dos jornais.
      há 16 horas · · 4 pessoas
    • Fernanda Tardin Marco, como era a comunicação e a articulação e estrategias entre grupos de guerrilhas?
      há 14 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin Como se ficava sabendo (alguns) que a milicada estava na cola e alguns ainda conseguiam escapar da cana?
      há 14 horas · · 1 pessoa
    • Carlos Molina Eram marcados pontos de encontro com horários rigidamente pré estabelecidos e caso falhassem é que alguma coisa de errado tinha acontecido (prisões, etc.). Pelas normas de segurança para quem era preso a orientação era que aguentasse a tortura fornecendo dados falsos por pelo menos 3 dias, para que desse tempo para a organização pudesse fazer as mudanças de aparelhos, reorganização das redes de contatos, etc..
      há 13 horas · · 3 pessoas
    • Fernanda Tardin Molina e demais companheiros, Como era a participação de mensageiros ocasionais ou disfarçados de mendigos, lavador de carro, vendedor de bala(picolé...) e prostitutas, que segundo varios resistentes faziam a comunicação semanal com presos políticos.?
      há 13 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin Os grupos distintos de resistencia e luta armada tinham comunicação direta um com o outro?
      há 13 horas · · 1 pessoa
    • Dagmar Vulpi Convido os companheiros a fazerem um relato detalhado sobre o assunto para postarmos no blog do grupo, estou certo que este assunto resultará em uma bela postagem! Quem se habilita? Carlos Molina, Marco Lisboa, José Gomes da Silva, outro amigo do grupo, ou quem sabe uma matéria mais abrangente com a participação de vários amigos. Fico no aguardo. Abraço.
      há 13 horas · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin ou quem sabe uma matéria mais abrangente com a participação de vários amigos. Apoiado
      há 12 horas · · 3 pessoas
    • Marco Lisboa
      Quando o PC do B começou a guerrilha do Araguaia, havia a ilusão de que os revolucionários e a juventude iriam aderir em grande número ao partido e à guerrilha. A própria repressão tinha esta ilusão. Entretanto isto nunca aconteceu. As orga...Ver mais
      há 3 horas · · 3 pessoas
    • Fernanda Tardin
      Aprendendo com os erros da história: "Isto era mais ou menos natural porque quando houve a ruptura com o PCB e sua política reformista aconteceu um movimento centrífugo. Cada organização tratava de recrutar mostrando que sua linha era mais ...Ver mais
      há ± 1 hora ·
    • Fernanda Tardin ‎"Esta comunicação que você citou é meio fantasiosa (mendigos, prostitutas, etc.) Pode ter acontecido com um ou outro militante." Tô , na verdade, provocando para sabermos o que a história está nos negando. rsrs Mas tem muitas outras revelações aí, Vamos aos fatos? bjao
      há ± 1 hora ·
    • Luiz Aparecido da Silva
      Uma informação. A Guerrilha do Araguaya foi abortada porque não pretendiamos iniciar as ações naquele momento. A descoberta pela repressão e o primeiro cerco nos obrigou a agir em autodefesa. Os planos era implantar mais gente e ampliar as ...Ver mais
      há 39 minutos · · 2 pessoas
    • Fernanda Tardin Lu, sei que vc. tem muitas novidades referentes a este tópico também, nos dê o privilegio de ouvi-las? bjaohermano.
      há 34 minutos · · 1 pessoa
    • Carlos Molina
      O que pegou o PC do B de surpresa foi o avanço do capitalismo no campo na sua forma mais selvagem naquela região que antes era isolada. O isolamento facilitava a implantação do projeto de GPP (Guerra Popular Prolongada) e com o fim deste nã...Ver mais
      há 27 minutos · · 2 pessoas
    • Carlos Molina Embora os "paulistas" tivessem a simpatia de grande parte da população ainda não estavam militarmente enraizados e eles estavam mal equipados, com armas obsoletas, sem estrutura de comunicação (rádio), etc.. Foi um grande erro a direção não ter cancelado o projeto já na primeira ofensiva.
      há 24 minutos · · 1 pessoa
    • Fernanda Tardin ‎"sem estrutura de comunicação (rádio), etc" Para mim continua a ser o grande desafio. Precisamos conhecer detalhes para vencer etapas. Vamosseguir pois RECORDAR É VIVER literalmente. Juntos somos fortes. bjao
      há 17 minutos ·

Monday, July 11, 2011

SÓ FALTA OS COLÉGIOS MILITARES ADOTAREM O 'MEIN KAMPF'...

Respondendo a perguntas dos leitores da revista Época, o deputado Jair Bolsonaro assim se manifestou  sobre a Comissão da Verdade:
"Partindo do princípio de que todos os integrantes serão indicados pela presidente da República, não se pode esperar imparcialidade do que for relatado. O que se pretende é elaborar relatórios mentirosos, endeusando os petistas e demais adeptos da esquerda e satanizando os militares para que conste em livros didáticos uma nova História escrita de forma unilateral e mentirosa".
Decerto ele gostaria que os livros didáticos fossem todos como o História do Brasil: Império e República, de Aldo Fernandes, Maurício Soares e Neide Annarumma, adotado pelos colégios militares brasileiros. 

A Anpuh - Associação Nacional dos Professores Universitários de História tem enviado reiterados protestos aos ministérios da Defesa e da Educação e Cultura, bem como à Casa Civil, pois tal livreco mantém a falaciosa retórica ditatorial, que foi para a lixeira em 1985 e hoje só é encontrada nos nichos da extrema-direita. “Que cidadãos estão sendo formados por uma literatura que justifica, legitima e esconde o arbítrio, a tortura e a violência?" -- questiona a entidade.

De acordo com Luis Fernando Cerri, diretor da Anpuh e professor de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa, legitimar o golpe militar na educação básica fere preceitos constitucionais, já que “nossa Constituição proíbe várias práticas da ditadura militar, como a formação de grupos armados para tomar o poder”.

Além disto, acrescenta Cerri, tal obra está abaixo do padrão de qualidade exigido pelo Programa Nacional do Livro Didático, "pela falta de organização da informação, pelo modo como são formuladas questões para os alunos e por não estar dentro das discussões atuais da historiografia brasileira, do nosso atual estado de conhecimento”.

Faz exatos 13 meses que esta aberração foi denunciada pela Folha de S. Paulo, sem que se tomasse nenhuma providência. O MEC sai pela tangente, alegando que o ensino militar tem autonomia e uma legislação específica.

A CENSURA TERIA SIDO NECESSÁRIA 
PARA O PROGRESSO DO PAÍS

Eis os principais trechos da notícia publicada em junho/2010:
"A história oficial contada aos alunos dos 12 colégios militares do país omite a tortura praticada na ditadura e ensina que o golpe ocorrido em 1964 foi uma revolução democrática; a censura à imprensa, necessária para o progresso; e as cassações políticas, uma resposta à intransigência da oposição.

É isso que está no livro didático História do Brasil - Império e República, utilizado pelos estudantes do 7º ano das escolas mantidas com recursos públicos pelo Exército.

As escolas militares poderiam utilizar livros gratuitos cedidos pelo Ministério da Educação a todas as escolas públicas. Mas, para a disciplina de história, optaram pela obra editada pela Biblioteca do Exército, que deve ser adquirida pelos próprios alunos. (...) O Exército afirma que o material 'atende adequadamente às necessidades do ensino de História no Sistema Colégio Militar'.
 O livro de história mais adquirido pelo MEC para o ensino fundamental, da editora Moderna, apresenta a tomada do poder pelos militares como um golpe, uma reação da direita às reformas propostas por João Goulart. A partir disso, diz a obra, seguiu-se um período de arbítrio, com tortura e desaparecimentos, em que a esquerda recorreu à luta armada para se manifestar contra o regime.
Já a obra da Bibliex narra uma história diferente: Goulart cooperava com os interesses do Partido Comunista, que já havia se infiltrado na Igreja Católica e nas universidades. Do outro lado, as Forças Armadas, por seu 'espírito democrático', eram a maior resistência às 'investidas subversivas'.

No caderno de exercícios, uma questão resume a ideia. Qual foi o objetivo da tomada do poder pelos militares? Resposta: 'combater a inflação, a corrupção e a comunização do país'.

A obra não faz menção à tortura e ao desaparecimento de opositores ao regime militar. Cita apenas as ações da esquerda: 'A atuação de grupos subversivos, além de perturbar a ordem pública, vitimou numerosas pessoas, que perderam a vida em assaltos a bancos, ataques a quartéis e postos policiais e em sequestros'.

A censura é justificada: 'Nos governos militares, em particular na gestão do presidente Médici, houve a censura dos meios de comunicação e o combate e eliminação das guerrilhas, urbana e rural, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do país'".

Saturday, July 09, 2011

AUTORIDADES CONCEDERAM OU NÃO TRATAMENTO VIP A DANIEL DANTAS?

"Será sempre um gângster
quem controlará o  mercado"
Ao receber um educado (já que eufemístico) pedido de direito de resposta do Opportunity -- vide aqui e aqui --, avaliei: se tanto cobro da grande imprensa que cumpra as boas práticas jornalísticas, jamais poderia desconsiderar o pleito, mesmo achando que o banco, fiel ao seu nome, aproveitou uma  oportunidade  para desfiar um rosário de protestos de inocência e de queixas contra seus inimigos. Há evidente desproporção entre o parágrafo em que citei Daniel Dantas e os 34 (!) parágrafos da resposta.

Quanto ao cerne da questão, desde o primeiro momento afirmei que a Operação Satiagraha não era uma cruzada justiceira, mas sim o enfrentamento de dois esquemas igualmente nocivos e corruptores, no qual todos os personagens importantes (salvo, talvez, o delegado Protógenes Queiroz e o juiz Fausto De Sanctis) defendiam apenas seus interesses mesquinhos.

De um lado, Daniel Dantas e seus aliados, dos quais o mais saliente foi Gilmar Mendes.

Do outro, a concorrência que aspirava tomar-lhe negócios no mercado de telecomunicações, tendo como escudeiro Paulo Lacerda (antigo chefão da Polícia Federal que, em seu novo posto na Abin, continuou sendo a eminência parda das investigações contra DD) e como grande aliada a Rede Globo.

Admito a possibilidade de que o delegado Protógenes estivesse sendo movido por lealdade a Lacerda e por espírito de justiça; e que o juíz De Sanctis se visse mesmo como um paladino do combate à corrupção. Prefiro pensar sempre o melhor das pessoas, quando não tenho certeza do pior.

Mas, a Operação Satiagraha veio apenas confirmar minha convicção de que a corrupção é intrínseca ao capitalismo e jamais a extirparemos enquanto a grande prioridade e motivação maior dos indivíduos continuar sendo o  enriquecei!  capitalista.

"Os seres humanos são tangidos
à competição amoral e insana"
Se os seres humanos são tangidos a uma corrida de ratos, à competição amoral e insana por riqueza e privilégios, a hipótese de que a Polícia consiga refreá-los, impedindo-os de cometer ilegalidades, não faz o menor sentido.

A lógica é que aconteça exatamente o oposto: a Polícia se tornar partícipe das refregas entre os grandes criminosos, corrompida até a medula.

Então, nunca vi motivo para tomar partido em guerras de gangstêres, pois pouco me importa que o  mercado  seja controlado por Al Capone ou por Lucky Luciano. Não tenho dúvida de que, sob o capitalismo, será sempre um gângster quem controlará o  mercado.

Eu quero é construir uma sociedade que gângster nenhum consiga controlar.

Monday, July 04, 2011

FOLHA DE S. PAULO = MACARTISMO À BRASILEIRA

Leitores mandaram cartas à redação, articulistas espalharam textos na internet e a Folha de S. Paulo, como sempre, não deu a mínima: foi este o saldo da mais recente aparição do comandante de um dos piores centros de tortura dos anos de chumbo nas páginas do autoproclamado maior jornal brasileiro.

Sem que Carlos Alberto Brilhante Ustra tivesse sido sequer citado no artigo de Pérsio Arida que a Piauí publicou, a Folha, generosamente, disponibilizou seu espaço de Opinião para que ele apresentasse uma refutação que deveria, isto sim, ter encaminhado à própria revista.

A ombudsman Suzana Singer ainda saiu-se com esta:
"Para a decepção de muitos, defendo a iniciativa, condizente com o pluralismo expresso no projeto editorial da Folha, de dar visibilidade à versão do ex-comandante do DOI-Codi, mesmo sabendo-se que funcionava ali uma central de tortura.

E tendo consciência também que, se estivéssemos nos anos 70, ele não defenderia o meu direito de expressão. Na ditadura, vozes dissonantes eram caladas. Censurar é sempre a pior saída".
Quem se der ao trabalho de ler este artigo aqui, constatará que a carapuça serve perfeitamente para a própria ombudsman, que não defendeu meu direito de expressão e permitiu que minha voz dissonante fosse calada pelo jornal da  ditabranda, num episódio em que eu tinha carradas de razão, ao exigir espaço para responder à forma pejorativa como a Folha se referiu, em editoral, aos defensores de Cesare Battisti, deles traçando um perfil  que correspondia ao meu e ao de pouquíssimos ex-resistentes mais (nem meia dúzia).

Ou seja, a Folha tomou as dores de um indivíduo que foi declarado torturador pela Justiça brasileira, mas tem negado sistematica e arbitrariamente direito de resposta a quem a União e o governo paulista reconheceram como torturado e vítima da ditadura.

Talvez faça uma tímida autocrítica daqui a quatro décadas, quando eu  estiver morto. Foi o tempo que levou para admitir sua cumplicidade com a repressão nos  anos de chumbo.

Concordo com a Singer: censurar é sempre a pior saída. Vai daí que minha credibilidade cresce cada vez mais no território livre da internet, tanto quanto a da Folha despenca no terreno estreitamente vigiado da indústria cultural.

Afirmo com todas as letras: venho sendo há anos discriminado como jornalista e como cidadão pela Folha, que adota, em relação a mim, postura semelhante à do macartismo estadunidense dos anos 50, com suas famosas listas negras.

Todos sabem como a caça às bruxas de Joseph McCarthy e Richard Nixon terminou.

Todos sabem como a da Folha terminará: com a credibilidade em cacos, descendo a ladeira ao lado da Veja, que, antes de se tornar um house organ da extrema-direita, chegou -- pasmem! -- a ser uma revista de verdade...

Saturday, July 02, 2011

DILMA, DEMITA O JOBIM!

O motivo certo para demitir Nelson Jobim é o mesmíssimo pelo qual ele jamais deveria ter sido confirmado no posto em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o colocou, na pior de todas as suas escolhas ministeriais: Jobim nunca se comportou como um verdadeiro ministro da Defesa, a quem cabe dar voz de comando às Forças Armadas.

Pelo contrário, seu papel foi o de porta-ultimatos dos fardados no Ministério. Toda vez em que alguém pensou em apurar seriamente as atrocidades perpetradas pela ditadura militar, Jobim fez alarmismo com as ameaças da caserna, conseguindo frustrar as iniciativas dos Genros e Vannuchis.

O pior é que tais ameaças não passavam de blefes: os  gorilas  comprometidos com o festival de horrores dos  anos de chumbo  são vistos como relíquias do passado e não têm, nem de longe, o apoio da tropa para novas quarteladas.

Aliás, não se derruba governo brasileiro sem o sinal verde dos EUA e dos grandes capitalistas, que estão se lixando para eventuais punições a Ustras e Curiós. Enquanto o Brasil continuar rezando pela cartilha do capitalismo globalizado, não verão motivo para aventuras institucionais. É simples assim.

Essa gente não troca o certo pelo incerto, como aprenderam os  cansadinhos  e as aves de mau agouro (aqueles tucanos que têm passado de esquerda, mas apostaram num voo cego para a direita como forma de conquistar o poder... acabando por quebrar o bico e a cara).

No fundo, Jobim pertencia mesmo, de corpo e alma, ao Ministério do FHC. Nele não destoariam suas ridículas exposições públicas em uniforme de campanha, qual garotinho deslumbrado a sonhar com o  marcha-soldado-cabeça-de-papel...

Então, já passou do tempo da presidente Dilma Rousseff lembrar-lhe que porta da rua é serventia da casa. Sua última incontinência verbal, espero e torço, será a gota d'água a entornar o copo.

Mesmo porque, se lhe causam tanto asco os  idiotas  com os quais ele está convivendo no governo  da Dilma, o sentimento é recíproco, pelo menos por parte de quem ainda se mantém fiel aos valores originais do PT.  A estes, decerto, repugnam os quintas-colunas e as  viúvas da ditadura.

E não dá para acreditarmos que ele verdadeiramente se referia aos idiotas dos jornalistas. Trata-se, claro, de uma saída pela tangente idêntica à do Jair Bolsonaro, que optou pelo mal menor, preferindo ser acusado de homofobia que de racismo.

Ainda assim, todos os jornalistas que não se veem como idiotas e têm vergonha na cara deveriam engrossar o coro de Dilma, demita o Jobim!


Obs.: há muito circulam rumores da saída de Jobim do Ministério no meio do ano. Cheguei até a levantar a hipótese de que José Genoíno estivesse sendo preparado para o suceder. Então, é bem provável que as farpas em seu discurso louvaminhas a FHC tenham visado exatamente provocar as reações que lhe permitissem deixar o cargo atirando, com pose de injustiçado e perseguido...