APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Tuesday, July 31, 2012

A INDÚSTRIA CULTURAL TAMBÉM DEVERIA ESTAR NO BANCO DOS RÉUS

Por Celso Lungaretti

Você tem alguma discordância com relação ao texto jornalístico abaixo, ou ele descreve corretamente o ambiente criado na véspera do julgamento? Leia com atenção:
"O julgamento de Cesare Battisti pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o italiano, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes.

Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.

Na hipótese mais complacente com a imprensa, aí considerados também o rádio e a TV, o sentido e a massa de reportagens e comentários resulta em pressão forte, com duas direções.

Uma, sobre o Supremo. Sobre a liberdade dos magistrados de exercerem sua concepção de justiça, sem influências, inconscientes mesmo, de fatores externos ao julgamento, qualquer que seja.

Essa é a condição que os regimes autoritários negam aos magistrados e a democracia lhes oferece.

Dicotomia que permite pesar e medir o quanto há de apego à democracia em determinados modos de tratar o julgamento de Battisti e até o papel da defesa.
O outro rumo da pressão é, claro, a opinião pública que se forma sob as influências do que lhe ofereçam os meios de comunicação.
Se há indução de animosidade contra o réu, na hora de um julgamento, a resposta prevista só pode ser a expectativa de condenação e, no resultado alternativo, decepção exaltada".
Não, a análise é impecável: a grande imprensa condenou explicitamente Battisti, com uma massa de reportagens e comentários tendenciosos ao extremo, culminando nos editoriais dos jornalões que, no dia mesmo do julgamento, pressionaram escandalosamente os ministros do STF a fazerem a vontade de Berlusconi. As revistas Época e IstoÉ, com seu esforço de equilíbrio, ficaram em minoria quase comovente.

Só que, na verdade, a citação não se refere ao julgamento de Battisti, mas sim ao do  mensalão: é o início do artigo de Jânio de Freitas na Folha de S. Paulo desta 3ª feira, 31 (veja a íntegra aqui), com umas poucas adequações .

Tais rolos compressores midiáticos --o do Caso Battisti, o do julgamento do  mensalão  e tantos outros-- comprovam o acerto da previsão de Herbert Marcuse e da Escola de Frankfurt, feita meio século atrás: 
  • a consolidação da indústria cultural desfigurou mesmo a democracia, esvaziando-a em essência; 
  • a indústria cultural está mesmo exercendo uma influência massacrante e intrinsecamente totalitária sobre seus públicos, ao apresentar os valores e interesses burgueses como os únicos razoáveis, e todos os enfoques alternativos como inconsequentes;
  • e o pior é que, ao atingir por meio da  persuasão  os resultados antes obtidos pela força, a indústria cultural consegue manter as aparências, de forma que suas vítimas têm atualmente dificuldade bem maior para perceberem a dominação que lhes é imposta e aquilatarem sua amplitude.
Por último: não me esquivarei do assunto da moda, embora o considere pra lá de superdimensionado.

O grande erro do PT foi o de, traindo seus compromissos e sua história, haver incidido nas práticas que antes execrava: comprou o apoio de parlamentares fisiológicos com recursos públicos, pois acreditou que só assim conseguiria ter seus projetos mais importantes aprovados no verdadeiro balcão de trocas em que se transformou o Congresso.

A queda dos anjos provocou orgasmos de júbilo naqueles que sempre foram demônios.

Então, tendo vindo à tona o  mensalão, a apuração dessas práticas corriqueiras da política crapulosa foi feita, desta vez, com empenho obsessivo, inaudito; nunca havia sido colocada tamanha profusão de holofotes sobre os muitos casos IDÊNTICOS denunciados, só que referentes aos partidos mais à direita.

Então, no que diz respeito a este processo em particular, a condenação procederá.

Mas, vai implicar o estupro de um princípio fundamental das democracias: a igualdade de todos perante a lei.

Pois, pelos mesmíssimos motivos, todos os outros partidos que presidiram o Brasil desde a redemocratização deveriam ser também condenados.
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SERRA ESCORREGA DE NOVO E TOMBA SOBRE SEU PASSADO

Wednesday, July 25, 2012

SERRA ESCORREGA DE NOVO. E TOMBA SOBRE SEU PASSADO

José Serra perdeu o equilíbrio de novo.

Fez triste figura mais uma vez.

Desonrou novamente os ideais de outrora.

Embora tenha terceirizado o ataque jurídico e verbal contra o blogue Conversa Afiada  (do Paulo Henrique Amorim) e o site Luís Nassif OnLine, as responsabilidades política e moral são dele, Serra. Só dele. Pessoais e intransferíveis.

Pois foi em benefício de sua candidatura que o PSDB fez uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral, pedindo investigações... com o evidente objetivo de promover intimidações!

E foi para evitar que Serra aparecesse como paladino da imposição da censura na internet, qual um  velho cavalheiro indigno  (1) a clamar pela volta da Dª Solange (2), que o presidente tucano Sérgio Guerra incumbiu-se de tentar justificar o injustificável nos papos com a imprensa.

Assim como era seu vice, Índio da Costa, quem cortejava os eleitores de extrema-direita durante a campanha eleitoral de 2010, poupando o ex-presidente da UNE da  saia justa  de aderir ele próprio à retórica de quem fechou a UNE.

Que moral tem para falar em "atentado à democracia brasileira" o dirigente máximo do partido de Geraldo Alckmin?!

A barbárie no Pinheirinho e a ocupação militar da USP não passam de balões de ensaio golpistas, para aferir a resistência da sociedade brasileira a uma recaída totalitária, a um novo 1964. 

Ou seja, estes episódios sim merecem ser qualificados de atentados à democracia --pois são reais, bem reais, tanto que houve até uma vítima fatal (ver aqui). Não virtuais e supostos.

Pior do que escorregar do skate é vacilar em relação ao próprio passado, perdendo a identidade que o sustentava e esborrachando-se no chão dos oportunistas.
  1. aos patrulheiros do politicamente correto, informo que não se trata de afronta aos idosos, mas sim de alusão irônica ao título de uma peça do Brecht, A velha dama indigna. 
  2. Solange Teixeira Hernandes, a censora-símbolo da ditadura militar.
TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "DIÁRIO DE CAMPANHA DO LUNGARETTI" (clique p/ abrir):
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A SOLIDARIEDADE AOS INJUSTIÇADOS
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A REVOLUÇÃO MUNDIAL DO MARX
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TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "NÁUFRAGO DA UTOPIA"  (clique p/ abrir):
PARA LER E MEDITAR (É ESTA A POLÍCIA QUE QUEREMOS?)
É HORA DE NOS LIVRARMOS DE MAIS UM ENTULHO AUTORITÁRIO: A PM
A VIDA IMITA A ARTE: "DESEJO DE MATAR"

Tuesday, July 24, 2012

É HORA DE NOS LIVRARMOS DE MAIS UM ENTULHO AUTORITÁRIO: A PM

Lendo o artigo do filósofo Vladimir Safatle, Pela extinção da PM, dei-me conta de que, quando a Polícia Militar paulista executou cidadãos honestos na semana passada, a ficha não me caiu e deixei de relacionar as matanças à recente recomendação da ONU, no sentido de que o Brasil elimine mais este entulho autoritário. 

Lapso imperdoável, pois eu havia sido o primeiro a concordar entusiasticamente com tal proposta, conforme se pode constatar no meu artigo de 04/06/2012, Da ONU para o Brasil: extingam as PM's!!! (ver aqui).

Então, é uma bandeira que estou levantando e convidando os companheiros a levantarem.

Na contramão do Paulo Maluf, que adotava como bordão o sinistro vou botar a Rota na rua!, tem tudo a ver exigirmos: vamos botar a PM no museu da ditadura!  Quiçá na mesma prateleira do Doi-Codi...

Eis o artigo do Safatle, que, claro, aprovo e recomendo:
 "No final do mês de maio, o Conselho de Direitos Humanos da ONU sugeriu a pura e simples extinção da Polícia Militar no Brasil. Para vários membros do conselho (como Dinamarca, Espanha e Coreia do Sul), estava claro que a própria existência de uma polícia militar era uma aberração só explicável pela dificuldade crônica do Brasil de livrar-se das amarras institucionais produzidas pela ditadura.
No resto do mundo, uma polícia militar é, normalmente, a corporação que exerce a função de polícia no interior das Forças Armadas. Nesse sentido, seu espaço de ação costuma restringir-se às instalações militares, aos prédios públicos e aos seus membros.

Apenas em situações de guerra e exceção, a Polícia Militar pode ampliar o escopo de sua atuação para fora dos quartéis e da segurança de prédios públicos.

No Brasil, principalmente depois da ditadura militar, a Polícia Militar paulatinamente consolidou sua posição de responsável pela completa extensão do policiamento urbano. Com isso, as portas estavam abertas para impor, à política de segurança interna, uma lógica militar.

Assim, quando a sociedade acorda periodicamente e se descobre vítima de violência da polícia em ações de mediação de conflitos sociais (como em Pinheirinho, na cracolândia ou na USP) e em ações triviais de policiamento, de nada adianta pedir melhor 'formação' da Polícia Militar.

Dentro da lógica militar, as ações são plenamente justificadas. O único detalhe é que a população não equivale a um inimigo externo.
Isto talvez explique por que, segundo pesquisa divulgada pelo Ipea, 62% dos entrevistados afirmaram não confiar ou confiar pouco na Polícia Militar. Da mesma forma, 51,5% dos entrevistados afirmaram que as abordagens de PMs são desrespeitosas e inadequadas.
Como se não bastasse, essa Folha mostrou no domingo que, em cinco anos, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que toda a polícia norte-americana ('PM de SP mata mais que a polícia dos EUA', 'Cotidiano').
Ou seja, temos uma polícia que mata de maneira assustadora, que age de maneira truculenta e, mesmo assim (ou melhor, por isso mesmo), não é capaz de dar sensação de segurança à maioria da população.

É fato que há aqueles que não querem ouvir falar de extinção da PM por acreditar que a insegurança social pode ser diminuída com manifestações teatrais de força.

São pessoas que não se sentem tocadas com o fato de nossa polícia torturar mais do que se torturava na ditadura militar. Tais pessoas continuarão a aplaudir todas as vezes em que a polícia brandir histericamente seu porrete. Até o dia em que o porrete acertar seus filhos".
TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "DIÁRIO DE CAMPANHA DO LUNGARETTI" (clique p/ abrir):
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UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A REVOLUÇÃO MUNDIAL DO MARX
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A "SOCIEDADE ALTERNATIVA" DO RAULZITO

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OMISSÃO, CEGUEIRA IDEOLÓGICA E FANATISMO DESTROEM A SÍRIA
A VIDA IMITA A ARTE: "DESEJO DE MATAR"
"TECNICAMENTE CORRETA" É A PQP

Wednesday, July 18, 2012

NOVA FOTO COMPROVA QUE O LAMARCA FOI EXECUTADO

A Folha de S. Paulo noticia (vide aqui): os ferimentos à bala evidenciados em foto por ela obtida comprovam o que todo mundo soube já na época e a Comissão de Mortos e Desaparecidos depois confirmou, a covarde execução do comandante Carlos Lamarca pelos militares, depois de o terem aprisionado com vida.

O mesmo destino teve o Zequinha (José Campos Barreto), cujo irmão Olival declarou: "Essas fotos, desconhecidas, mostram claramente que houve uma execução".

Elementar, meu caro Watson.

Chocante mesmo para mim foi saber que a indenização concedida à família de Lamarca pela Comissão de Anistia em junho de 2007 (ver aqui) até hoje não está sendo paga em função de uma liminar obtida pelos três clubes militares. OU SEJA, JÁ SE PASSARAM CINCO ANOS SEM QUE O MÉRITO DA QUESTÃO FOSSE JULGADO!!! 

Por que os processos relacionados aos direitos de antigos resistentes demoram tanto? Já lá se vão cinco anos e meio que um mandado de segurança meu se arrasta no STJ e um ano e meio desde que saí vencedor no julgamento do mérito da questão por 9x0. O trâmite deveria ser agilizado até por força da minha condição de idoso. Mas...

Há mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia (Shakespeare).

FARSA DESMASCARADA

Outra versão que não se sustenta mais graças a uma foto encontrada nos arquivos macabros é a de que o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira teria morrido de uma doença no fígado. A imagem dele, 11 dias antes de ser assassinado pela repressão, é a de um homem em perfeitas condições de saúde.

O que também não constitui nenhuma novidade: o general Adyr Fiúza de Castro já havia reconhecido que Nin Ferreira, "quando foi entregue ao Exército, estava com umas marcas, havia sido chicoteado com fio no DOPS".

Ou seja, o bravo militar admitiu que a causa da morte foram as torturas, mas tentou jogar a culpa para o vizinho; quem detonou Nin Ferreira, na verdade, foi o DOI-Codi.

Monday, July 16, 2012

EU, CELSO L., 61 ANOS, EX-RESISTENTE, TORTURADO E...VEREADOR?!

Sou o candidato a vereador nº 50005 da cidade de São Paulo, pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Os que acompanham minha trajetória, provavelmente estranharão: por que entrar na política oficial aos 61 anos, depois de uma jornada tão atribulada? Não deveria estar curtindo esta fase tranquila da vida familiar, dedicando-me às filhas e netos?

Parafraseando Brecht: eu não consigo agir assim.

Os objetivos que, aos 16 anos, me motivaram a contestar uma ditadura sanguinária ainda não foram atingidos. Nem considero este Brasil com democracia tão imperfeita e desigualdade tão gritante, suficiente para justificar a perda de 20 companheiros estimados e os terríveis sofrimentos impostos a tantos outros.

Como sobrevivente de uma luta que tragou alguns dos melhores cidadãos que este país já produziu, assumi o compromisso de dedicar o resto dos meus anos aos ideais pelos quais eles se sacrificaram.

Foi assim que em 1986, mesmo sem as facilidades da internet, consegui, com um golpe de sorte, evitar que a greve de fome dos quatro de Salvador  terminasse em tragédia.

E o advento da web facilitou em muito as cruzadas em defesa dos direitos humanos, como a vitória épica que ajudei a conquistarmos no Caso Battisti, contra a perseguição inquisitorial e as pressões arrogantes de um país do 1º mundo, apoiado pelo que havia de pior na Justiça, na imprensa e na política brasileiras.

Mas, a influência das redes sociais não é ilimitada e, em várias outras lutas, tenho me chocado com o boicote da grande imprensa que, além de me negar o direito de exercer a minha profissão de jornalista,  esconde-me  como personagem histórico e participante de embates políticos marcantes. Nem o direito de resposta ou de apresentar o outro lado ela me concede, mesmo quando são incontestáveis à luz das boas práticas jornalísticas e não há ninguém para os exercer além de mim.

Não nego: é terrível a sensação de impotência que sinto por não estarmos conseguindo obter a responsabilização dos culpados pela barbárie no Pinheirinho nem o levantamento imediato da ocupação militar da USP, dentre outros episódios inadmissíveis numa verdadeira democracia.

Os balões de ensaio para testar a resistência dos brasileiros a uma recaída totalitária não estão tendo resposta à altura; daí minha ansiedade em buscar maior amplitude de atuação. E, como este novo macartismo vigente no Brasil tenta me transformar num fantasma virtual, quero mais é mostrar ao sistema que estou bem vivo, firme e forte.

Se não me mataram nos porões nem conseguiram me destruir com a estigmatização por eles ensejada, tampouco me farão recuar com ameaças, pressões nem manipulações midiáticas.

Foi um motivo a mais para eu ter aceitado de pronto o convite do professor Carlos Giannazi, no sentido de somar forças com ele na campanha municipal de 2012.

Ou outros são a concordância básica que temos na maioria dos assuntos e o fato de vê-lo como o único candidato da esquerda anticapitalista com reais chances de derrotar a direita e os reformistas na cidade mais importante do País.

Tenho razões para crer que o PSOL não só tende a adquirir a influência que o PT adquiriu, como pode obtê-la sem abandonar suas principais bandeiras pelo caminho.

Até porque o mundo começa a ser varrido por uma nova onda revolucionária, potencializada pela depressão que o capitalismo está engendrando; e, neste novo cenário, o PSOL tem-se alinhado decididamente com a contestação nas ruas (o que é um antídoto ao deslumbramento com os gabinetes do poder...).

Não há nenhum fatalismo histórico a tanger os partidos de esquerda ao comprometimento com o status quo como condição indispensável para crescerem; a decisão que o PT tomou há uma década, de negociar com banqueiros e grandes capitalistas a  permissão  para chegar ao poder e as concessões que teria de fazer em troca, não foi imposta pelos deuses, foi decidida por homens.

Agora, é imperativo provarmos ao cidadão comum que a esquerda pode decidir noutro sentido, mantendo a fidelidade a seus grandes ideais em quaisquer circunstâncias; até porque disto depende o ressurgimento da esperança na política. A minha parte eu farei.

Também quero ajudar a manter vivos alguns valores dos revolucionários da década de 1960, como o de que os vários agrupamentos da esquerda anticapitalista devem ver a si próprios como integrantes de um  campo, parceiros e aliados no bom combate, e não como adversários na disputa por migalhas de poder numa sociedade desumana.

O de que mandatos legislativos e posições no Executivo só se justificam no nosso caso quando colocados a serviço dos explorados e injustiçados, e se nos permitirem acumular forças para a mudança maior da sociedade. São meios, nunca fins em si. Nosso objetivo não é ganharmos a eleição seguinte, é prepararmos o terreno para o  reino da liberdade, para além da necessidade (Marx).

O de que honestidade pessoal e coerência para nós não são méritos, apenas obrigação.

E o de que temos de honrar os mandatos, pois nossos ideais serão julgados pelo desempenho visível. Vereador ou presidente da República, cabe-nos dar o exemplo de como age um militante de esquerda, tanto em termos de probidade, quanto de competência e coragem.

A partir daqui os meus textos referentes à campanha separam-se das comunicações costumeiras, a menos que os donos de cada espaço os autorizarem. Peço a todos que passem a acompanhá-los no blogue Diário de Campanha do Lungaretti, cujo endereço é este aqui: http://quero50005.blogspot.com.br/

E que, concordando com minhas propostas e conteúdos, ajudem-me a torná-los conhecidas no Facebook, no Orkut e no twitter, bem como seguindo e divulgando o novo blogue –no qual tentarei oferecer um enfoque bem diferente de uma campanha eleitoral, mais reflexivo, jornalístico e literário–, até porque é isto que os leitores habituais esperam de mim. Sempre considerarei mais importante propagar os nossos ideais do que convencer alguém a votar em mim. Manterei esta linha.

De resto, inexperiente, sem mobilização na base e sem recursos, só terei sucesso se os internautas alavancarem a minha campanha, que vai ser bem do tipo  tostão contra milhão. [Se receber doações, produzirei folhetos caseiros e vou distribui-los pessoalmente; quem quiser me dar uma força, por favor, escreva p/ lungaretti@gmail.com.]

E peço antecipadamente desculpas pelos textos mais ligeiros que produzirei, até o 7 de outubro, para os outros espaços e tribunas. De qualquer forma, o compromisso há muito assumido de colocar todo dia algo novo no blogue Náufrago da Utopia será respeitado.

A sorte está lançada. 
TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "NÁUFRAGO DA UTOPIA" (clique p/ acessar):
VIVA E DEIXE VIVER

COMPARTILHAMENTO VIRTUAL É O SOCIALISMO EM MINIATURA

Thursday, July 12, 2012

UM INOCENTE EXECUTADO NA 'TERRA DOS LIVRES E LAR DOS VALENTES': JOE HILL

"oh, diga, a bandeira estrelada ainda tremula 
sobre a terra dos livres e lar dos valentes?"
(trecho do hino nacional dos EUA)

Anotem a data: 19 de setembro de 2015. Temos um mártir a reverenciar neste dia.

É quando transcorrerá o centenário da morte de Joe Hill, outro esquerdista que, a exemplo de Sacco e Vanzetti, os EUA executaram por causa dos seus ideais, utilizando como pretexto um crime comum do qual foi falsamente acusado. 

Seu nome era Joel Emmanuel Hägglund. Filho de um ferroviário, nasceu na província sueca de Gästrikland, em outubro de 1879. Com queda para a música, aprendeu cedo a tocar órgão, piano, acordeão, banjo, guitarra e violino. Depois da morte dos pais, foi em 1902 tentar a sorte nos EUA, onde adotou o nome de Joseph Hillström.

Eis um bom relato do que lhe aconteceria na  terra dos livres e lar dos valentes, assinado por Fernando J. Almeida (cujo único senão foi não ter deixado mais claro quais trechos do artigo são de sua autoria e quais foram extraídos da trilogia USA, de John dos Passos): 
"Um jovem sueco chamado Hillstrom meteu-se ao mar, calejou as mãos em veleiros e velhos cargueiros vagabundos, aprendeu Inglês no castelo da proa dos vapores que faziam a ligação entre Estocolmo e Hull, e como todos os suecos sonhava com o Oeste. Quando se instalou na América, deram-lhe um emprego: limpar escarradores num bar de Bowery. Mudou-se para Chicago e trabalhou numa firma de máquinas.
Continuando a sua marcha para o Oeste, alugou os braços aos senhores das colheitas, arrastou-se pelas agências de empregos, pagou muitos dólares de comissão para conseguir trabalho numa empresa qualquer de construção civil, andou muitas milhas quando a comida era demasiado má, o capataz demasiado brutal ou os percevejos demasiado agressivos no barracão.
Participou duma greve, na Califórnia, costumava tocar concertina à porta do barracão, à noite, depois da ceia, tinha um condão peculiar para transformar em rimas os brados de revolta.

As canções de Joe Hill foram cantadas nas cadeias distritais e nas pensões rascas, por desempregados itinerantes, por trabalhadores das jornas. Em todo o lado, onde um proletário se sentisse perseguido, explorado, marginalizado, soava uma canção de Joe Hill.
Em Bingham, Utah, Joe Hill organizou os trabalhadores da Utah Construction Company num único grande sindicato, conseguiu-lhes salários mais elevados, menos horas de trabalho, melhor comida.

Joe Hill vivia no Utah, estado dominado pelo fundamentalismo religioso da seita Mormon. Foi acusado, injustamente, de ter assassinado um merceeiro, de nome Morrison. A sua condenação à morte provocou vastas movimentações.

O cônsul da Suécia e o presidente Wilson tentaram obter um novo julgamento, mas o Supremo Tribunal do Estado de Utah manteve o veredicto. Joe Hill continuou a escrever as suas canções, no ano em que permaneceu na cadeia. Em Novembro de 1915, encostaram-no contra a parede da penitenciária de Salt Lake City. 'Não percam tempo chorando minha morte. Organizem-se!' --foram as últimas palavras que enviou para os seus camaradas. Joe Hill aprumou-se diante da parede do pátio da penitenciária, olhou para os canos das espingardas e deu a voz de fogo".
Em 1980, assisti a um ótimo filme sueco sobre sua saga: O desejo final (d. Bo Widerberg, 1971), que passara nove anos vetado pela censura ditatorial. Eis o que o grande crítico Rubem Biáfora escreveu então:
"O que Sacco e Vanzetti foi para o cinema italiano, este Joe Hill é para o sueco: o libelo contra o injustiçamento de um idealista de seu país em meio à engrenagem da Justiça americana. A ação começa com o jovem Joseph Hillstrom (19 anos) e seu irmão aportando em 1910 à nova terra, cheios de esperanças, sujeitando-se a todos os trabalhos inferiores que as sociedades reservam aos imigrantes pobres e que não conhecem seu idioma.
Joe procura amenizar sua vida com a apreciação da música e compondo canções românticas, mas será depois, ao transformar-se em organizador sindical, colhido por obscuras evidências e acabará condenado à morte em circunstâncias nebulosas, que o tornam uma legenda que depois acaba mais ou menos perdida"
Agora o filme, de 112 minutos, está disponibilizado no Youtube, com dublagem em castelhano --clique aqui. Mas, durante esse tempo todo sem o rever, eu nunca esqueci a comovente poesia-testamento que Joe Hill deixou. Trata-se, exatamente, do  desejo final  ao qual se refere o título do filme; e, claro, é aproveitada no seu término.

Graças à busca virtual, acabo finalmente de encontrar uma versão espanhola, que transpus para o português:
"Meu corpo? Ah, se pudesse escolher,
faria com que fosse reduzido a cinzas
e deixaria as alegres brisas soprarem meu pó
até onde existissem algumas flores murchas.

Talvez essas flores murchas então
voltassem à vida, florescendo outra vez.
Este é meu derradeiro e final desejo.
Boa sorte para vocês!"
Também me marcou muito a balada "Joe Hill", composta por Alfred Hayes e Earl Robinson em 1936 e que foi gravada por grandes nomes da música folk; Joan Baez, p. ex., apresentou-a no festival de Woodstock. Belíssima. Neste caso, a tradução está amplamente disponibilizada nos sites de música. Ei-la:
"Sonhei que vi Joe Hill na noite passada, como vejo a você e a mim.
Eu disse: 'Mas Joe, você morreu há dez anos'.
'Eu nunca morri', ele disse.
'Eu nunca morri', ele disse.

'Em Salt Lake, Joe --eu disse a ele, ao pé da minha cama--,
eles enterraram você numa cova'.
E Joe disse, 'mas, eu não morri'.
E Joe disse, 'mas, eu não morri'.

'O chefe dos toneleiros atirou em você, Joe, eles o assassinaram, Joe', eu disse.
'Precisa de muito mais do que armas para matar gente --disse Joe--, eu não morri'

'E lá de pe, firme e forte, com um sorriso no olhar,
Joe disse: 'O que eles nunca puderam matar é meu ideal'.

'Joe Hill não morreu --ele me diz--, Joe Hill nunca morre,
quando os trabalhadores em greve se organizam, Joe Hill está no meio deles'

De San Diego ao Maine, em cada mina, fabrica ou oficina
em que os trabalhadores se preparam para reivindicar seus direitos,
lá você encontrará Joe Hill.

Sonhei que vi Joe Hill na noite passada, como vejo a você e a mim.
Eu disse: 'Mas Joe, você morreu há dez anos'.
'Eu nunca morri', ele disse.
'Eu nunca morri', ele disse".
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GOVERNO DE SP NÃO QUER BICICLETAS ATRAPALHANDO OS VEÍCULOS POLUENTES

TUDO CERTO... MAS NADA EM ORDEM
TUDO CERTO... MAS NADA EM ORDEM - 2

QUANTO O ESTADO DEMOCRÁTICO SE PREOCUPA COM AS VÍTIMAS DA DITADURA?

Thursday, July 05, 2012

O GOLPE PARAGUAIO E A VOZ DO OPUS DEI

"Tanto foi tranquilo o processo de afastamento no Paraguai que não existiram manifestações de expressão em defesa do ex-presidente. As Forças Armadas nem precisaram enviar contingentes à rua...

Processo digno das grandes democracias parlamentares. Mas difícil de ser compreendido pelo histriônico presidente venezuelano, (...) pela aprendiz de totalitarismo que é a presidente argentina (...) ou pelos dois semiditadores da Bolívia e do Equador.

O curioso foi o apoio da presidente Dilma a essa 'rebelião de aspirantes a ditadores'... "

Quem escreveu as besteiras acima e as fez publicar no jornal da  ditabranda  foi o principal porta-voz do Opus Dei na mídia brasileira, Ives Gandra Martins (que, apropriadamente, está na foto da direita, acima).

O "processo digno das grandes democracias parlamentares" a que ele se refere é, pasmem!, o  impeachment relâmpago  de Fernando Lugo, na verdade um acinte e uma vergonha para a democracia.

O ato falho que ele cometeu foi salientar que "as Forças Armadas nem precisaram enviar contingentes à rua", num reconhecimento implícito de que esta providência fazia parte do esquema golpista articulado desde 2009, assim como os US marines teriam desambarcado no Brasil caso a quartelada de 1964 encontrasse resistência significativa.

Por último, sendo o Opus Dei o que é, Ives Gandra nos deu a conhecer, simplesmente, a relação atualizada dos presidentes ameaçados de sofrerem os próximos golpes parlamentares, depois do êxito das empreitadas hondurenha e paraguaia. Eia a ordem de prioridade dos eternos conspiradores:
  1. Hugo Chávez
  2. Cristina Kirchner
  3. Evo Morales
  4. Rafael Correa
  5. Dilma Rousseff
Que os cinco se considerem alertados e tomem as devidas cautelas. Quem dorme de touca acaba sendo colocado em avião de pijamas.

E que nossa Dilma reflita sobre se valeu a pena reagir de forma tão débil à deposição de Lugo, descartando o embargo econômico que seria a única medida democraticamente aceitável (já que utilizada com total impunidade há meio século pelos EUA contra Cuba...) para quebrar a espinha dos golpistas.

Preferiu aproveitar a confusão para incluir a Venezuela no Mercosul.

De que adiantará, se Chávez for derrubado, como o foram Zelaya e Lugo?

Ovos de serpente devem ser esmagados antes de eclodirem. Dois ofídios já estão firmes e fortes. Quantos mais consentiremos?

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Monday, July 02, 2012

OS PIROMANÍACOS DA CASERNA PASSARAM RECIBO DA QUEIMA DE ARQUIVOS

Quando se aproximava o fim da ditadura, os criminosos fardados agiram como quaisquer outros criminosos: eliminaram as provas dos seus crimes.

Mas,  caxias  como eles só, fizeram a besteira de relacionar os documentos, à medida que os iam incinerando.

Ainda não sabiam que isto deve ser feito na calada da noite, sem testemunhas nem registros, para não acabar virando reportagem do Fantástico --como aconteceu  no final de 2004, quando foi escancarada uma queima de arquivos na base aérea de Salvador...

Seu  know-how, aliás, continua meio amadoresco. No começo do mês passado, quando montaram um  mutirão de reclassificação de documentos secretos,  não escolheram subalternos 100% confiáveis: um deles  deu o serviço  para a imprensa. Se aqui não fosse o país dos  panos quentes, estariam presos por sabotarem descaradamente a Lei de Acesso à Informação, desacatando a comandante suprema das Forças Armadas (a presidente Dilma Rousseff) e o ministro da Defesa (Celso Amorim), além de transformarem em motivo de galhofa as leis aprovadas pelo Congresso.

Enfim, é devido à falta de know-how dos  incendiários acidentais que podemos agora dimensionar a obra desses piromaníacos da caserna: no segundo semestre de 1981, quando o ditador da vez era João Baptista Figueiredo, foram reduzidos a cinzas aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos após o nefando 1º de abril de 1964. 

Sobre o teor de cada um deles resta apenas um resumo de uma ou duas linhas, em 40 relatórios encadernados aos quais a Folha de S. Paulo teve acesso --o suficiente, contudo, para dar uma boa idéia do que se tentou esconder dos brasileiros.

Segundo a reportagem publicada nesta 2ª feira (2) pelo jornal da ditabranda, "boa parte dos documentos eliminados trata de pessoas mortas até 1981". 

Havia também "relatórios sobre personalidades famosas, como o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-2004), o arcebispo católico dom Helder Câmara (1909-1999), o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) e o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999)", levantamento das "contas bancárias no exterior" do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, investigação sobre a "infiltração de subversivos no Banco do Brasil", etc.

Verifica-se, ainda, que o tão criticado acobertamento de delitos cometidos por  protegidos da corte  também vicejava no regime militar: nunca foi levado à Justiça, como deveria ter sido, o personagem de que tratou o relatório intitulado "Tráfico de Influência de Parente do Presidente da República". Enquanto Emílio Garrastazu Médici autorizava carnificinas e ia fingir de torcedor do  Mengo  no Maracanã, a família faturava algum por fora...

Um dos mandantes dos piromaníacos, o general Newton Cruz, sai pela tangente de sempre, ao afirmar ter "cumprido a lei da época". Da mesma forma, os que executaram prisioneiros indefesos e deram sumiço nos seus restos mortais utilizam uma lei da época, a anistia de 1979, para escaparem até hoje da responsabilização por seus atos.
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